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Valorização motiva ladrões,
diz filho de Portinari
Felipe Werneck
João Candido Portinari foi informado pela
imprensa da recuperação da obra
Caçador de Passarinho, encontrada em um
contêiner

/Reprodução
A pintura em óleo sobre madeira Caçador
de Passarinho, de 1958, foi encontrada em contêiner
onde supostamente havia produtos químicos
Rio de Janeiro - João Candido Portinari,
filho do artista e diretor-geral do Projeto Portinari,
disse que foi informado pela imprensa da recuperação
da obra Caçador de Passarinho, de 1958,
que estava desaparecida e foi encontrada em um
contêiner que chegara de Miami onde supostamente
havia produtos químicos. "Acreditamos
que não há cidadania sem memória.
E que não há memória sem
arte. Por isso temos lutado para preservar a memória
de um artista como Portinari, que retratou a alma,
o povo e a vida brasileira", diz João
Candido em nota divulgada à imprensa, em
que "manifesta o desejo de que ela seja preservada
em lugar seguro".
Para João Candido, a valorização
de obras do artista - o quadro Balanço,
de 1959, alcançou US$ 940 mil em leilão
realizado pela Sotheby´s, de Nova York,
em novembro - pode ter "recrudescido"
o interesse de criminosos. Outro fator apontado
pelo especialista foi a publicação,
no ano passado, do primeiro catálogo, de
cinco volumes, com a obra completa do pintor,
um trabalho de 25 anos de pesquisa, resultado
do cruzamento de cerca de 30 mil documentos.
"É possível que tenha havido
um recrudescimento em função da
valorização após leilões
internacionais como o da Sotheby´s, mas
é preciso dizer que esse tipo de coisa
sempre tem acontecido", declarou João
Candido, de 66 anos. Ele citou a criação
de uma sala dedicada ao artista no Museu Nacional
de Belas Artes (MNBA), composta principalmente
por obras transferidas de locais públicos
como a Capela Mayrink, que tinham sido roubadas
e foram recuperadas pela polícia.
O Projeto Portinari, instituição
responsável há 26 anos pela preservação
da obra e da memória do pintor Candido
Portinari, informou, na nota, que a tela foi levantada
em 1982 e trata-se de uma pintura em óleo
sobre madeira, medindo um metro por 65 centímetros
e assinada e datada: "PORTINARI 58".
"Na época, a tela pertencia a uma
coleção particular. O Projeto Portinari
acompanhou o paradeiro desta obra por algum tempo,
perdendo depois o contato com a mesma", informa
a nota.
No dia 24 de novembro, três homens roubaram
a obra Preparando Enterro na Rede, avaliada em
R$ 2,5 milhões, da Galeria Thomas Cohn,
na Avenida Europa, zona sul de São Paulo.
Jornal Estadão
12/12/2005
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