Sante expõe na Galeria Niemeyer
no Rio

Uma das maiores qualidades de Sante
Scaldaferri é a mutabilidade, seguida de
coerência. Não é um artista
de rótulos ou de vários “estilos”,
como tem aparecido ultimamente, visando mais um
efeito mediático, do que verdadeiramente
realizar um discurso pictórico. Eles um
dia são escultores, noutros são
pintores, ou ainda muralistas. É demais
para um artista só.
Não é o caso de Sante Scaldaferri,
recorre nesta nova para uma exposição
individual na Galeria Anna Maria Niemeyer no Rio,
na qual trabalha há 40 anos, de 14 a 31
de março. Face as cenas do cotidiano urbano,
não foge do seu conteúdo habitual
de popular mas é uma vertente. Sabe como
não se repetir, segue com as imagens recorridas
dos ex-votos, contudo neste novo trabalho, consegue
espetacularmente dar uma nova roupagem aos seus
personagens.
Não afasta-se do sertão, mas impõe
um urbanismo, vejamos o quadro ressaca, muito
lembra o velho mestre inglês Tunner, contudo
Scaldaferri impõe uma linguagem bem brasileira,
lembra o mestre apenas no tema, no quadro reflexos
aproxima-se de uma linguagem de um expressionismo
abstratizado, no entanto, é Sante na mais
pura de sua coerência artística.
Tais referências comparativas apenas servem
a uma análise em torno de sua produção,
excluindo qualquer possibilidade de expressar
restrições.
Tais elementos de sua pintura, figuras femininas
e masculinas, bem como os temas a que o artista
recorre, compõe uma história. Sante
não deixa por menos, usa sua pintura, uma
atitude humanística diante de nossa realidade,
isto não tira o mérito da plasticidade
da obra, ele é antes de tudo um artista
plástico como poucos, nesta cidade, artistas
de mão apressadas e nervosas que em nada
contribuem para uma história da arte baiana.
Ao contrário de Sante que escreve a história
da arte moderna da Bahia, sendo ele um dos responsáveis
pela divulgação e conhecimento da
arte moderna brasileira. Desde que optou pela
brasileira e popular, sempre foi fiel aos seus
princípios, não se deixou levar
pelo mercado, tampouco pelos “decoradores”
que elegem os artistas para compor suas decorações
pelas cores e temas que combinem com seus projetos.
Desta forma, estes “decoradores”,
eliminam a possibilidade de o cliente ter uma
obra de seu gosto e de qualidade. Contudo, isto
não afeta o sucesso e a respeitabilidade
da carreira de Scaldaferri. Hoje, um nome nacional
e internacional, orgulho da arte brasileira. Dono
de um currículo que passa por Bienais e
Salões nacionais e internacionais, fora
as incontáveis mostras diante destes 50
anos dedicados à pintura. Esta mostra no
Rio de Janeiro é apenas mais uma das muitas
que ele ainda realizará.












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