Sebastião Salgado abre mostra em Paris
esta semana
AFP
"Quero fotografar os 46% do planeta que
o homem ainda não destruiu", disse
o brasileiro, que terá mostra na Biblioteca
Nacional da França
Veja
fotos no site de Sebastião Salgado

/AFP
Sebastião Salgado deve concluir
em 2012 as fotos da exposição
Gênesis, sobre a Natureza
Paris - "Quero fotografar os 46% do planeta
que o homem ainda não destruiu",
revelou à AFP o fotógrafo brasileiro
Sebastião Salgado, que inaugura uma exposição,
Territórios e Vida, na quinta-feira,
na histórica sede parisiense da Biblioteca
Nacional da França.
Territórios e Vida permite ver em 136
fotos em preto-e-branco as preocupações
essenciais de Sebastião Salgado, fotógrafo
para quem a beleza da obra não está
nunca separada do testemunho ou da reflexão
sobre a sociedade.
Dos camponeses do Equador e da Guatemala a
mineiros da Bolívia ou do Brasil, passando
pelos pescadores da Galícia, pelos refugiados
do Sudão ou os operários dos poços
de petróleo do Kuwait, Salgado dirige
um olhar ao mesmo tempo aguçado e respeitoso
aos homens que trabalham, à sua relação
com a terra e à destruição
da natureza, que anda lado a lado com a degradação
das condições de vida dos homens.
No entanto, sua exposição começa
em uma primeira sala onde o homem está
ausente. Nestas fotos, Salgado capta a natureza
sozinha (vulcões em atividade) ou os
animais na natureza (baleias na Península
de Valdés, na Argentina, a fauna das
ilhas Galápagos), algo que contrasta
com sua obra anterior.
O fotógrafo brasileiro explicou esta
mudança à AFP: "De fato,
eu concebi esta exposição como
um prólogo ao projeto no qual estou trabalhando
agora, que chamei de ´Gênesis´.
Incluí apenas algumas fotos para que
as pessoas tenham uma idéia desse projeto".
"Nesta exposição só
há fotos de exteriores. O homem ligado
ao seu planeta, ao seu meio ambiente e, a partir
daí, entrou no meio ambiente dos outros
animais, na própria natureza, mas depois
vamos encontrar também o homem nela.
Este é só o começo do projeto",
disse.
"A partir de agora, vou trabalhar também
com o homem. Acabo de voltar da Amazônia,
onde passei meses com os índios e parto
depois de amanhã para a Namíbia
para trabalhar no deserto com tribos nômades",
acrescentou.
"Trata-se de um projeto de dez anos para
buscar os 46% do planeta que o homem ainda não
destruiu, como a Antártica, os grandes
bosques frios do extremo norte e o extremo sul
do planeta, grande parte da Amazônia,
os bosques tropicais do Congo, uma parte de
Papua-Nova Guiné, as cadeias montanhosas
com mais de três mil metros que o homem
ainda não conseguiu explorar, os grandes
desertos...", enumerou.
"Quero fotografar tudo isso para ver se,
talvez um dia, possamos discutir a natureza
como discutimos a saúde, todas as questões
sociais do homem. Eu acho que se deve incluir
o planeta dos homens nesta discussão",
avaliou. O fotógrafo considera que terminará
as fotos do "Gênesis" em 2011
ou 2012.