Camila Molina
É a proposta do Panorama do MAM, que
chega neste sábado à 29.ª
edição e evita rótulos
como o regionalismo

Divulgação/
Palavra pÈtala, de Mario Simies
São Paulo - O que é arte brasileira?
Há uma exposição tradicional,
realizada desde 1969, pensada para, bienalmente,
chegar a um tipo de resposta a essa pergunta
nada simples: o Panorama da Arte Brasileira
do Museu de Arte Moderna de São Paulo.
"Pensar o Brasil esteve na concepção
dessa mostra, regular, desde o começo.
Por isso, nesta edição, quis incluir
artistas das 14 cidades que visitei", diz
Felipe Chaimovich, responsável pela curadoria
do Panorama 2005, que será inaugurado
no sábado no MAM.
Chaimovich chegou a um vocabulário universal
para tratar a produção brasileira,
bebendo na fonte de oito gêneros tradicionais
- natureza-morta, paisagem, retrato, costume,
alegoria, história, emblema e religiosidade.
Nas duas salas do museu, inseriu trabalhos de
50 artistas (alguns, grupos e duplas) a partir
de definições contemporâneas
desses termos.
As associações entre as obras
e os gêneros não se dá de
forma óbvia. Já as mídias
são tantas - há performances,
trabalhos de áudio -, não se fecham
nas tradicionais pinturas e esculturas tão
caras a esses gêneros quando se pensa
na história da arte.
Se paisagem é, na definição
presente na mostra, "figura de lugar"
ou "composição a partir do
horizonte", está para representá-la
uma grande obra de Nuno Ramos na Sala Paulo
Figueiredo: um barco recoberto com massa negra
feita a partir de mistura com areia. No centro
do espaço, o Pionero - como vemos escrito
naquele casco - está a colidir com outro
barco e a experiência de paisagem, de
horizonte, para o espectador, é percebida
ao circundar a obra.
No segmento religiosidade, não há
Cristo nem santos, mas um trabalho sutil e aflitivo
de Miguel Chikaoka. Ele colocou numa caixa de
acrílico três fotos de olhos, em
transparências, perfuradas por grandes
espinhos.
O conceitual Paulo Brusky, do Recife, está
no núcleo dos costumes - "hábito
do dia-a-dia, comédia de nossos semelhantes"
- com a intervenção (nunca realizada)Expediente,
de 78: um funcionário do museu ficará
trabalhando no espaço expositivo mesmo,
tendo lá sua mesa, computador, telefone...
Como diz o curador, cria-se então ruídos.
Para falar de uma arte nacional, portanto,
Chaimovich recorreu a um sistema de termos universais,
que não se fecham em si e não
podem ser vistos como estilos. Nenhuma das obras
foi criada para a ocasião - e muitas
foram conhecidas pelo curador em viagens e diálogos
com os artistas, entre janeiro e julho. Dessa
maneira, pode-se dizer que o Panorama 2005 "vai
para além do Brasil".
Panorama da Arte Brasileira 2005. MAM. Parque
do Ibirapuera, portão 3, tel. 5549-9688.
10h/18h (fecha 2.ª). R$ 5,50. Até
8/1. Abertura sábado, 11h