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Polícia garante liberdade para quem devolver fotos
Fabiana Cimieri

A Polícia Federal apela pela devolução das fotografias do século 19 furtadas da Biblioteca Nacional. 30 das 120 já foram recuperadas


Divulgação/
A foto de Guilherme Liebenau, retratando Ouro Preto em 1875/80, está entre as mais raras do acervo da Biblioteca Nacional que foram roubadas

Rio - A Polícia Federal fez hoje um apelo para que devolvam as cerca de 120 fotografias da segunda metade do século 19 furtadas do acervo de obras raras da Biblioteca Nacional e avaliadas em U$ 15 mil cada uma. E garantiu: quem devolver as fotos não será preso.

Trinta delas foram recuperadas ontem com cinco pessoas que foram detidas e tiveram que prestar depoimento. Elas não foram indiciadas e estão soltas, pois negaram ter conhecimento de que o acervo era roubado.

O delegado Deuler Rocha, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, que investiga o caso, disse que a prioridade é reaver o material, que desapareceu durante a greve dos servidores federais da área cultural, que durou de abril até a semana passada. "Depois se tornará até mais fácil descobrir os responsáveis", disse ele, que suspeita da participação de funcionários no furto.

As fotos, do tamanho de uma folha de papel A4, ficavam em álbuns guardados num armário climatizado e só podiam ser exibidas em ocasiões especiais, como a chegada de delegações estrangeiras, ou por pesquisadores credenciados. Foi vista pela última vez pelos técnicos três meses atrás, antes do início da greve. Não se sabe se foram retiradas de uma só vez ou aos poucos. O sumiço só foi percebido na segunda-feira, por técnicos do setor de iconografia. A importância das fotos se deve ao fato de eles fazerem parte de um conjunto doado por dom Pedro II à nação, em seu testamento. Ele pediu que fosse dado à coleção o nome de sua mulher, a imperatriz Teresa Cristina, para que os brasileiros não se esquecessem dela.

Jornal Estadão
27/07/2005