Cópia da gruta pré-histórica
de Lascaux viaja o mundo
AFP
Após ter sido fechada ao público,
em 1963, para evitar a degradação,
a obra-prima da pré-história francesa
vai correr o mundo
Montignac, França - Após ter sido
fechada ao público, em 1963, para evitar
a degradação de seus afrescos,
que datam de 15 mil anos atrás, a famosa
gruta de Lascaux, obra-prima da pré-história
francesa, vai correr o mundo, graças
a uma cópia de alta tecnologia, que está
sendo finalizada.
"É melhor ver Lascaux no ateliê
do que ao vivo", brinca o criador do projeto,
Renaud Sanson, que há 20 anos trabalha
em reproduções da gruta de Montignac
(sudoeste da França).
Para este ex-cenógrafo de 58 anos, que
se refere ao primeiro contato com Lascaux como
uma "revelação", trata-se
de "tirar Lascaux da pré-história
para devolvê-la à sua dimensão
humana e atemporal".
Esta "busca" começou em 1982,
quando Sanson participou da criação
da Lascaux II, uma réplica da gruta em
tamanho natural, o que o colocou no rol dos
privilegiados a poder admirar as incríveis
pinturas de animais da arte madalenense, descobertas
em 1940 e ameaçadas por uma invasão
de fungos.
Após a abertura da Lascaux II ao público,
em 1983, Sanson decidiu prosseguir na aventura,
convencido de que podia "ir mais longe
quanto à fidelidade", já
que as reproduções de então
foram feitas a partir de rápidos esboços
desenhados em sessões de meia hora no
fundo da caverna.
"Este é um trabalho admirável,
visto através da sensibilidade de um
artista plástico", explicou hoje;
em 2003 se lançou em outro ambicioso
projeto: "Lascaux revelada".
Também chamado de "Lascaux III",
o projeto que sairá do ateliê de
Montignac no fim de 2007, deve ser exposto em
Paris, segundo previsto, em 2008, e seguir então
para Japão, Estados Unidos e Austrália.
O projeto visa a reproduzir os principais afrescos
da Nave de Lascaux: os baixos-relevos da vaca
negra, dos cinco cervos, os painéis de
dois bisões, dos cabritos, assim como
a cena do bruxo nos poços de Lascaux.
Para fazer este trabalho de "falsificador",
o ateliê Z.K Productions, criado em 1997
por Sanson, e aberto ao público este
ano, usa as técnicas mais modernas, começando
pelo molde digital da gruta, feito a laser.
Um "modelo mestre", cópia
quase prefeita da parede, foi criado em placas
de poliestireno, trabalhadas com jatos d´água
a alta pressão, controlados por computador,
o que servirá para criar o molde do qual
sairá uma parede virgem, que reproduzirá
a textura da rocha graças a um pilão
de pedra.
A grande inovação será
a "projeção fotográfica
em relevo", técnica que permitirá
projetar a imagem dos afrescos, acompanhando
o relevo dos muros.
"Podemos reproduzir o menor detalhe, o
menor desgaste", entusiasma-se o criador,
que vê em sua criação uma
"ferramenta privilegiada para o conhecimento
objetivo e científico da obra" e
"a resposta para o fechamento irreversível
das grutas ilustradas" da pré-história.