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Gravura japonesa no MNBA

Uma importante manifestação artística japonesa que influenciou os caminhos da arte poderá ser vista através da exposição UKIYO-E, a partir de 25 de abril no MNBA.

O termo ukiyo foi utilizado no budismo para denominar o “mundo miserável” onde tudo é transitório, inclusive a nossa existência neste mundo. Com o tempo, esta definição passou a valer para o “mundo flutuante” e despreocupado do prazer, ligado ao erótico, que era personificado pelas cortesãs do distrito de Yoshiwara e pelo famoso teatro Kabuki. No final do século 17, o sufixo ê, que significa desenho.

Na mostra UKIYO-Ê, Cenas do mundo flutuante, estarão reunidos 80 obras, produzidas por: SUZUKI HARUNOBU (1725-1770), TORII KIYONAGA (1752-1815), TOSHUSAI SHARAKU, KITAGAWA UTAMARO (1753-1806), KATSUSHIKA HOKUSAI (1760-1849), CHOBUNSAI EISHI (1756-1829), ANDO HIROSHIGE (1797-1858), KUBO SHUNMAN (1757-1820), e KEISAI EISEN (1790-1848).

Este capítulo importante da história da arte nos transporta ao fascinante passado cultural do Japão, quando se observa que tanto o auge quanto o declínio do ukiyo-ê estão ligados ao shogunato, espécie de regime político que pontificou no Japão entre os séculos 18 e o 19. Os sucessivos Shoguns, que eram designados pela Família Tokugawa, dominaram toda a nação, ou seja, tinham poder absoluto sobre povo e a propriedade

Antes de se chamar Tóquio, a capital japonesa tinha o nome de Edo. Construída no século 17, esta cidade viu florescer várias expressões artísticas e literárias no período conhecido como a era Edo, quando, desde 1603, vigorava o shogunato Tokugawa.

Esta fase foi marcada por um isolamento do resto do mundo, o que, por outro lado, serviu para propulsionar a cultura do país. A nova capital concentrava então cerca de 1 milhão de habitantes, chegados de diversos recantos do país e que traziam na bagagem múltiplas culturas. Foi neste caldeirão cultural que surgiu o ukiyo-ê.

Como xilogravura, uma técnica de gravura em madeira, o ukiyo-ê se difundiu com facilidade. São trabalhos que estampam o gosto popular da época, como o teatro Kabuki e suas peças épicas ou dramáticas; ou as cortesãs, admiradas por sua beleza e inteligência. Como uma espécie de souvenir, os clientes de Edo comprava as gravuras para guardar de lembrança.

A consagração vem em seguida: a partir de 1672, os trabalhos de Hishikawa Moronobu, produzidos com linhas fortes e belas estampas, elevam o ukiyo-ê ao nível de grande arte.
Surgiram depois nomes como os dos artistas Harunobu, Utamaro e Kiyonaga, focalizando as belas mulheres e as cortesãs, desta vez no contexto do final do século 18. Outra presença importante, inspirado no cenário mágico do teatro Kabuki foi o de Sharaku, que produziu gravuras nas quais exibia simultâneamente tanto a característica da personagem quanto o caráter pessoal do ator, motivo pelo qual seus trabalhos são muito valorizados hoje em dia.

Uma virada na temática de Edo ocorreu no século 19, quando as paisagens passaram a predominar na obra de artistas como Hiroshige e os cenários líricos e poéticos na de Hokusai.

Estes dois nomes ficaram muito conhecidos dos impressionistas europeus no final do século 19, de quem Van Gogh, Monet, Manet e Degas eram colecionadores apaixonados. Estes gênios da arte ficaram embevecidos pelas cores vibrantes e perspectivas inéditas estampadas no ukiyo-ê.

Esta influência, que na verdade não alterou o estilo pessoal dos artistas europeus, ficou
conhecida como japonismo. O reconhecimento fora das fronteiras contribuiu para consagrar ainda mais o ukiyo-ê dentro do Japão.

O ano de 1850 propicia um retorno dos contatos com holandeses, ingleses e russos; 3 anos depois, como que num gesto simbólico desta abertura para o exterior, o comodoro americano Matthew C Perry adentrou a baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios.

A era Edo chega ao fim com a restauração Meiji de 1868, abrindo espaço para novas produções gráficas no país, porém distantes do ukiyo-ê e do Edo.


Exposição: UKIYO-Ê Cenas do mundo flutuante
Abertura: 25 de abril, às 12h30min
Local: salas Clarival Valadares e Lebreton
Período: 25 de abril até 11 de junho
Visitação: de 3ª feira até 6ª feira, das 10h/18h.
Entrada franca.


• Assessoria de imprensa do MNBA: Nelson 2240-0068 r 18

• Akemi Ono (consulado do Japão): 2240-2383