
Reprodução/
Escultura de Weissman A Torre, de 1957, com
dimensões de 169 x 62,7 x 37,2 cm
Rio - O escultor Franz Weissman morreu hoje,
às 13h30, em sua casa, em Ipanema, na
zona sul do Rio, de insuficiência cardíaca.
Ele tinha 93 anos e morava no Brasil há
mais se seis décadas. Weisman já
havia sofrido um enfarte e, na semana passada,
teve uma pneumonia. Seu corpo será cremado
amanhã, no Memorial do Carmo, no Caju.
Por determinação dele, em vida,
não haverá velório, mas
sua filha, Waltraudi Weissman, e outros parentes
estarão lá.
Nascido em Knittelfeld, Áustria, em
1914, e em 1924 veio com a família para
o Brasil. Estudou na Escola Nacional de Belas
Artes no Rio de 1939 a 1941, depois estudou
desenho e escultura com August Zamoysky e em
1945 mudou-se para Belo Horizonte, onde deu
aulas de desenho e escultura na escola de Alberto
Guignard. Em 1950, realizou suas primeiras esculturas
geométricas. Foi um dos nomes importantes
daquele momento efervescente da abstração
e do concretismo que marcou a arte brasileira
nos anos 50.
Já de volta ao Rio, participou do Grupo
Frente, fundado em 1954, e formado inicialmente
por Lygia Clark, Hélio Oiticica, Abraão
Palatnik, Ivan Serpa, Lygia Pape, entre outros.
Os teóricos do grupo eram o crítico
Mario Pedrosa, e o poeta e crítico de
arte Ferreira Gullar. O concretismo ia se firmando
no Rio, com o Grupo Frente e em São Paulo,
com o Grupo Ruptura, que surgiu um pouco antes,
em 1952, ano em que aconteceu uma exposição
histórica no MAM de São Paulo
e foi lançado um manifesto, conhecido
como Manifesto Ruptura, e que era o manifesto
da arte concreta/abstrata.
Weissman participou de várias Bienais
Internacionais de São Paulo, tendo obtido
o Segundo Prêmio de Escultura na II Bienal,
o Prêmio de Melhor escultor Nacional na
IV Bienal e participado com a sala especial
"Em busca da essência: elementos
de redução na arte brasileira
na VII Bienal.
Assinou o Manifesto Neoconcreto de 1959 e participou
da I Exposição de Arte Neoconcreta
no Rio e em Salvador. Nesse ano, viajou para
a Europa com bolsa de estudos e no ano seguinte,
participou da II Exposição de
Arte Neoconcreta no Rio e em São Paulo,
e da mostra Koncrete Kunst, em Zurique. Em 1961,
viveu entre a França e a Espanha.
Nos anos 1960, sempre distante do rigor geométrico
do concretismo, realizou trabalhos com chapas
de metais amassados. Participou da XI Bienal
de Escultura ao Ar Livre de Antuérpia,
Bélgica, realizada em 1971. Quatro anos
depois recebeu o prêmio melhor escultor
na coletiva Panorama da Arte Atual Brasileira:
Escultura e Objeto no Mam-SP. Em 1979, expôs
no Instituto dos Arquitetos do Brasil, Rio de
Janeiro. Em 1993, recebe o Prêmio Nacional
de Arte do Ministério da Cultura e participou
da Bienal Brasil Século XX.