Botero expõe obras que retratam prisão
iraquiana
AP
Dezenas de obras do artista colombiano ilustrando
abuso de prisioneiros iraquianos por soldados
americanos são expostas em Roma

/AP
"A idéia é oferecer um testemunho
para que as pessoas se lembrem do que aconteceu",
disse Botero na abertura da mostra
Roma - Dezenas de obras do artista colombiano
Fernando Botero ilustrando o abuso de prisioneiros
por soldados norte-americanos na prisão
de Abu Ghraib, no Iraque, foram expostas hoje
em Roma.
A série de óleos e rascunhos
inclui imagens detalhadas de presos iraquianos
encapuzados e amordaçados sendo surrados
por soldados norte-americanos. É a primeira
vez que as obras são expostas ao público,
disseram os organizadores da mostra.
As figuras roliças e gordinhas são
conhecidas dos trabalhos de Botero sobre a vida
colombiana, que incluem imagens dos conflitos
de mais de 40 anos no país sul-americano.
Outras imagens mostram prisioneiros nus ou
semi-nus deitados em grupos, e um prisioneiro
preso pelo tornozelo no teto de uma cela.
Abu Ghraib esteve no centro de um escândalo
internacional no ano passado, quando imagens
de soldados americanos humilhando sexualmente
e tirando sarro de prisioneiros nus, amontoados
uns sobre os outros, ganharam a imprensa. O
escândalo abalou a imagem dos militares
dos EUA no mundo todo.
Botero disse que sua intenção
era colorir as imagens de Abu Ghraib na consciência
do mundo. "Eu, como qualquer outra pessoa,
fiquei chocado com essa barbaridade, especialmente
porque os Estados Unidos supostamente são
modelo de compaixão", disse o artista
à agência Associated Press em abril.
"Eu fiquei muito motivado", disse
o artista à AP na abertura da mostra,
hoje. "A idéia é oferecer
um testemunho para que as pessoas se lembrem
do que aconteceu. Se os jornais pararem de falar,
a arte vai continuar", ele disse.
As obras inspiradas em Abu Ghraib fazem parte
de uma exposição maior sobre Botero,
que inclui 170 trabalhos do artista, Fernando
Botero. Os Últimos 15 anos. A exposição
ficará aberta no Palazzo Venezia, no
centro de Roma, até 25 de setembro.