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Bolsa de Artes faz último leilão no Copacabana Palace
Beatriz Coelho Silva

Rio de Janeiro - O terceiro e último leilão da Bolsa de Artes, que acontece hoje à noite no Copacabana Palace, traz uma raridade, o óleo sobre tela Floresta, de Lasar Segall (com preço sugerido entre R$ 650 mil e R$ 850 mil) e aponta duas mudanças no mercado. Saem as obras que retratam o Brasil colônia e do tempo do império e entram os contemporâneos, como Daniel Senise, Tunga, Adriana Varejão, Iole de Freitas e Waltércio Caldas. O pregão confirma uma tendência dos últimos anos, as grandes coleções estão se mudando do Rio para São Paulo, pois os herdeiros dos antigos colecionadores, se desfazem dos acervos que são adquiridos pelos novatos, geralmente profissionais do mercado de capitais.

Segundo o diretor da Bolsa de Artes, Jones Bergamin, Segall é um dos artistas brasileiros mais bem cotados, ao lado de Cândido Portinari, mas suas obras raramente são oferecidas no mercado. "A valorização dos pintores modernos brasileiros no mercado internacional se reflete aqui também e eles se tornam um investimento melhor ainda", comenta.

Ele considera natural falta de paisagens brasilianas no pregão. "As boas coleções foram adquiridas por museus e instituições públicas, como a de Paulo Geyer, doada ao Museu Imperial de Petrópolis, e não estão mais disponíveis. Já os contemporâneos começam a chegar no mercado secundário, um sinal de valorização. Além disso, os modernistas estão muito caros para quem inicia sua coleção."

Bergamin comemora um bom ano para o mercado de artes, em que a crise política não afetou a economia e houve um volume de negócios dentro do esperado. "Mas a transferência do Rio para São Paulo se acentuou e hoje a maior parte das vendas do pregão são por telefone. Os colecionadores visitam nossa exposição em São Paulo nas semanas que antecedem o pregão e dão lances à distância", conta. "Mas não abro mão de realizá-lo no Copacabana Palace por uma questão de tradição."

Além de Segall, há também obras de Guignard, Burle Marx, Di Cavalcanti, Cícero Dias e Pancetti, todas com lances iniciais acima de R$ 100 mil.

Jornal Estadão
12/12/2005