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Conflito mantém museu de Bagdá
fechado
AFP
Desde a invasão do Iraque, dos 15 mil
tesouros roubados após a queda de Bagdá,
em abril de 2003, cerca da metade foi recuperada
no Kuwait, Japão e Itália
Bagdá - O Museu de Bagdá está
fechado ao público há 26 meses,
desde os saques que se seguiram à invasão
americana e sua reabertura continua suspensa por
questão de segurança. "Eu digo
aos guardas: se atirarem contra vocês com
uma bala, terão que responder com cem porque
temos que mostrar que o local está bem
protegido", disse, em entrevista à
AFP, o diretor do museu, Donny George, um cristão
iraquiano.
Após um recente ataque no qual ficaram
feridos dois seguranças do museu, George
pensou que os agressores estavam testando a segurança
do local com a intenção de repetir
as pilhagens maciças que se seguiram à
invasão das forças britânico-americanas
em 2003.
O diretor se inquietou também com as explosões
de carros-bomba no bairro "quente" onde
está localizado o museu e com as dificuldades
que seu pessoal enfrenta para ir trabalhar por
causa do bloqueio das estradas na capital iraquiana,
ainda afetada pela violência.
"Pensávamos que tudo voltaria à
calma depois das eleições (de 30
de janeiro). Tínhamos previsto uma exposição
para julho, mas as coisas pioraram", disse.
"O museu é um alvo fácil. Se
neste momento quiséssemos fazer uma exposição,
precisaríamos de todo o exército
iraquiano para protegê-lo", disse o
sorridente George, de 50 anos.
Pelos corredores do edifício, os arqueólogos
vão e vêm. Alguns viajaram de suas
províncias para a capital para fazer relatórios
dos saques. Entretanto, nos laboratórios
reabilitados, os jovens restauradores inventariam
e consertam as peças.
Dos 15 mil tesouros roubados no caos que se seguiu
à queda de Bagdá, em abril de 2003,
cerca da metade foi recuperada sobretudo no Kuwait,
no Japão e na Itália, explicou o
diretor.
Para George por enquanto é melhor que
estes tesouros fiquem onde estão. "Ali
estão em segurança", disse,
comemorando a colaboração de países
como Jordânia e Estados Unidos, mas acusando
outros de inércia. "Irã e Turquia
não nunca nos responderam sobre o que tinham
e nós sabemos que têm algumas peças",
lamentou.
As cartas enviadas pelo ministério iraquiano
da Cultura, pela Unesco (Organização
das Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura) e a Interpol não
obtiveram resposta.
O museu, que detém as peças mais
belas da Mesopotâmia, "berço
da civilização" agora contém
móveis vazios cobertos de poeira. Apenas
o setor assírio, onde repousam esculturas
maciças de pedra que representam deuses
antigos ou criaturas aladas, prova que, em outra
época, o museu foi um centro único
e respeitado.
Estas estátuas eram, sem dúvida,
pesadas demais para serem roubadas ou talvez não
estivessem suficientemente decoradas para atrair
a atenção dos ladrões. Para
o diretor do museu, a ajuda americana para a inovação
do centro é uma forma de se desculpar pelos
danos e saques.
"A princípio estava muito furioso
com os americanos porque não protegeram
o museu. Mas assim foi e não podemos ficar
sem fazer nada, (apenas) nos lamentando",
concluiu.
Jornal Estadão
24/06/2005
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