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A arte sob o olhar de Djanira

Numa rara oportunidade, o público vai poder deslumbrar um interessante panorama da obra de Djanira, na exposição que o MNBA abre em 11 de abril. Os trabalhos refletem a imagem do cotidiano do brasileiro, seu rico folclore, a labuta diária, a religiosidade, os hábitos e costumes, tão bem descritos pela artista que amava o seu povo.

Com obras do acervo, a mostra A arte sob o olhar de Djanira(já esteve no Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba) vai expor a trajetória desta artista paulista, seus métodos de trabalho, os temas de que mais gostava, tudo isso através de mais de 50 obras, entre pinturas, gravuras e desenhos expostos na sala Bernardelli.

Os curadores Pedro Xexéo e Laura Abreu alertam para a presença de dois desenhos que traduzem um momento especial na obra da artista: “Sonho de uma criança pobre” e “ Violonista e pianista”, ambos de um período logo após o fim da Segunda Guerra.

Pois foi quando Djanira visitou Nova York em 1945 e teve contato com a obra de Marc Chagall, o que provocou um momento de reflexão na sua arte.

Nascida em Avaré, 1914, interior paulista que então verdejava de pés de café, Djanira era descendente de índios e de imigrantes austríacos. Em 1932, casa-se e vai morar na capital paulista.

Chega ao Rio de Janeiro em 1939, depois de se recuperar de uma tuberculose pulmonar e passa a residir em Santa Teresa. No lendário bairro carioca, teve chance de travar contato com nomes como Emeric Marcier, Milton Dacosta, Arpad Szénes, Maria Helena Vieira da Silva e Carlos Scliar, entre muitos outros.

A primeira exposição foi no Museu Nacional de Belas Artes, quando recebeu a Menção Honrosa, em 1943. Daí para frente foram inúmeras mostras realizadas tanto no Brasil quanto no exterior.

No ano seguinte, a pintura O circo, recebe medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes. Um marco importante foi 1945, quando conheceu pessoalmente expoentes da arte mundial como Chagall, Miro e Léger. Em 46, exibe sua arte em Nova York e Paris.

Durante uma viagem a Salvador, em 1950, conhece o poeta e historiador Jose Shaw da Motta e Silva, que se tornaria seu segundo e ultimo marido.

Os 20 anos de sua carreira motivaram uma exposição individual no MNBA e em 1976, seus 35 anos de vida artística são igualmente festejados no Museu. Na ocasião são realizados filmes documentários da sua obra pelos cineastas Paulo Rovai, Paulo Gil e Nelson Penteado.

Um infarto, em 1979, encerrou a carreira desta que é considerada uma das maiores pintoras brasileiras; 5 anos depois seu espólio é acomodado no MNBA. Ao todo são 813 obras, doadas por Jose Shaw da Motta e Silva, viúvo da artista.


o circo (oleo s/tela 1944)

costureira (tempera sobre tela, 1951)


caboclinhos (encaustica s/tela, 1952)

Abertura: 11 de abril, 12h, na sala Bernardelli
Período: 11 de abril até 11 de maio
Visitação: de terça a sexta de 10h até 18h. Entrada franca
Assessoria de imprensa: Nelson 2240-0068 r 18.
Curadoria: Laura Abreu: 2240-0068 r 25

Av. Rio Branco, 199 - Cinelândia - Rio de Janeiro - RJ - CEP: 20040-008
Tel: 21 2240-0068 - Fax: 21 2262-6067