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Começa a 5.ª Bienal do Mercosul
Camila Molina

A Bienal do Mercosul reúne 173 expositores de 7 países, com 86 artistas brasileiros e 87 estrangeiros

Ouça o que disse Evaristo do Amaral, presidente da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, à Rádio Eldorado

"A idéia é que a Bienal não seja na prática um evento que se repete a cada dois anos, mas sim um processo de construção que se projeta no tempo".


Divulgação/
Acima, obra do grande homenageado do evento, o escultor mineiro Amilcar de Castro (1920-2002), no meio uma escultura de Anna Maria Maiolino e abaixo, cena do vídeo Balkan, do cineasta francês Pierre Coulibeuf

São Paulo - O tema da 5.ª Bienal do Mercosul, que será inaugurada nesta sexta-feira para convidados no Santander Cultural de Porto Alegre (com a presença do ministro Gilberto Gil) e no sábado, para o público, não é autoral, como diz seu curador-geral, o carioca Paulo Sergio Duarte.

Na mostra que reúne 173 expositores de 7 países, com 86 artistas brasileiros e 87 estrangeiros, Duarte recorreu à história da arte e a uma questão básica: a noção de espaço. A mostra não se restringe aos países do Mercosul e cada vez mais se expande, deixando para trás a hegemonia do eixo Rio-São Paulo. Esta edição, que acontece até 4 de dezembro, ocupará nove espaços da capital gaúcha, não somente instituições, como a orla do Rio Guaíba e armazéns do Cais do Porto. E deixará para a posterioridade obras públicas criadas por Carmela Gross, Waltércio Caldas, José Resende e Mauro Fuke.

Já que é o espaço a questão central, nada mais coerente do que colocar o escultor mineiro Amilcar de Castro (1920-2002), o mestre dos cortes e dobras, como grande homenageado. Será dedicada a ele uma retrospectiva com 51 esculturas (algumas monumentais), mas haverá também o Amilcar pintor e o artista gráfico, responsável pela reformulação do Jornal do Brasil na década de 50. "Ele trouxe seu olhar poético para o dia-a-dia", diz o curador.

Para destrinchar Histórias da Arte e do Espaço, Paulo Sergio Duarte contou com os curadores adjuntos Gaudêncio Fidelis e José Francisco Alves e com curadores dos outros países (Argentina, Bolívia, México, Chile, Paraguai e Uruguai). A exposição é formada por quatro vetores temáticos: Da Escultura à Instalação, que tem núcleo histórico com obras das décadas de 1940 e 1960 e núcleo contemporâneo; Transformações do Espaço Público com intervenções públicas de artistas como Nuno Ramos, Nelson Felix e Iran do Espírito Santo e as obras permanentes; Direções no Novo Espaço, o maior, na Usina do Gasômetro; e A Persistência da Pintura porque ela não morreu.

Há ainda, a mostra especial Fronteiras da Linguagem com os convidados Ilya Kabakov e Stephen Vitiello, a sérvia Marina Abramovich, percussora das performances, e o cineasta francês Pierre Coulibeuf, que também terá, a partir de segunda-feira mostra em São Paulo no Itaú Cultural.

Serviço: Pierre Coulibeuf - O Demônio da Passagem. Sala Itaú Cultural (270 lug.). Av. Paulista, 149, 2168-1776. 2.ª , às 20h e 6.ª, às 18h e às 20h, Balkan Baroque; 3.ª, às 18h e às 20h, Michel Butor Mobile; 4.ª (5), às 18h e às 20h, C´est de l´art; 5.ª, às 18h e às 20h, Klossowski, Peintre-Exorciste, Le Démon du Passage, Lost Paradise; Sáb., às 16h e às 18h, Les Guerriers de la Beauté. Grátis (retirar ingressos meia hora antes). Filmes serão exibidos com legendas em espanhol.

Jornal Estadão
07/10/2005