Camila Molina
A exposição 100 Anos da Pinacoteca:
A Formação de um Acervo, na Galeria
de Arte do Sesi, reúne cerca de 200 obras
do acervo do museu

/Reprodução
Obras como São Paulo (no alto), de Tarsila
do Amaral, e O Violeiro (acima), de Almeida
Júnior, fazem parte da mostra
São Paulo - Como se não bastasse
a Pinacoteca do Estado ser um dos museu mais
ativos - ou talvez o mais ativo - de São
Paulo, ela também estará a partir
de hoje na Avenida Paulista, na Galeria de Arte
do Sesi, onde será inaugurada a mostra
100 Anos da Pinacoteca: A Formação
de um Acervo. A exposição, com
curadoria do diretor do museu, Marcelo Araújo,
apresenta cerca de 200 obras da coleção
da instituição.
Há de tudo, do século 19, passando
pelos modernos até chegar ao contemporâneo.
E há pinturas, esculturas e gravuras
- já há muito tempo a Pinacoteca
deixou de ser somente o que diria o seu nome:
um local para expor pinturas. Antes de entrar
na Galeria de Arte do Sesi, os visitantes -
e qualquer transeunte - encontrarão,
na rua, três esculturas - de Amilcar de
Castro, Victor Brecheret e Marcelo Nitsche -
duas delas transportadas do Jardim de Esculturas
do museu, no Parque da Luz.
Na entrada da mostra estão 6 das 26
obras recebidas do Museu Paulista. Estavam nessa
primeira remessa quadros feitos por Almeida
Júnior e Pedro Alexandrino e alguns outros
que anunciavam um primeiro perfil do museu:
abrigar obras de artistas já consagrados
do século 19, brasileiros, ou estrangeiros
que estiveram por aqui. Só em 1911 ocorreu
a primeira regulamentação jurídica
e mais 33 obras foram incorporadas - dentre
elas a Maternidade, de Visconti.
No ano seguinte, 1912, o governo do Estado
instituiu um programa de pensionato artístico
para que artistas fizessem viagens pelo exterior.
Na volta, eles doariam obras para o museu. Na
mostra há uma escultura doada por Leopoldo
Silva e uma obra de Anita Malfatti.
Até a formação de um conselho
consultivo de especialistas para o museu, só
em 1970, a Pinacoteca foi incrementando sua
coleção por meios diversos. Algumas
obras foram transferidas de órgãos
do governo - O Violeiro, de Almeida Júnior,
chegou só na década de 30 - e,
por isso, de algumas nem se sabe a origem; outras
compradas - das mais emblemáticas, São
Paulo (1924), de Tarsila, Bananal (1927), de
Lasar Segall, e Mestiço (1934), de Portinari,
comprado em 1935 por indicação
do escritor Mário de Andrade.
A partir da década de 70, com o conselho
da Pinacoteca, a idéia foi a de preencher
lacunas. Entraram obras de Flávio de
Carvalho, Ernesto de Fiori, um núcleo
concreto (Lygia Clark, Waldemar Cordeiro, Sacilotto),
o porco empalhado de Nelson Leirner e muitas
obras contemporâneas - "mas um contemporâneo
consistente, não trabalhamos com a produção
emergente", diz Araújo. Mas ele
afirma que ainda há buracos. "Não
há Ismael Nery no acervo nem nada significativo
de Guignard", afirma. Um vídeo também
foi preparado para contar a história
dos 100 anos do museu.
100 Anos da Pinacoteca: A Formação
de um Acervo - Galeria de Arte do Sesi. Av.
Paulista, 1.313, 3146-7405. Das 10 às
20 horas (domingos e feriados até 19
horas; fecha às segundas). Grátis.
Até 16/10. Abre hoje, às 20 horas,
para convidados