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Bolsa de Artes abre a temporada 2004 de leilões
Beatriz Coelho Silva

Avaliada entre R$ 500 mil e R$ 700 mil, a obra Mulata em Azul, de Di Cavalcanti, é um dos destaques do pregão de hoje, no Rio


Reprodução/
Mulata em Azul, de Di Cavalcanti

Rio - Dois Di Cavalcanti, Mulata em Azul (avaliado entre R$ 500 mil e R$ 700 mil) e o painel Grande Composição (entre R$ 500 mil e R$ 600 mil), e uma rara pintura de Lygia Clark, Casario (entre R$ 25 mil e R$ 35 mil), feita em Paris, em 1951, são as estrelas do primeiro leilão da Bolsa de Artes em 2004. "Será o termômetro do mercado e, pela visitação à exposição, parece que será animado", diz o diretor da Bolsa, Jones Bergamin. "Há um bom conjunto de obras, com variedade e qualidade como há muito tempo não acontecia. A obra de Lygia, por exemplo, embora figurativa, indica os caminhos que ela seguiria nos anos seguintes."

Tal como em pregões anteriores, predominam paisagens fluminenses, a maioria feita entre a segunda metade do século 19 e a primeira do século passado, mas há também artistas contemporâneos, como Daniel Senise, que terá dois quadros leiloados, Pole People II, de 1999, e um óleo sobre tela sem título, ambos avaliados em torno de R$ 30 mil. Há uma quantidade e variedade de esculturas, como poucas vezes tem acontecido. Há peças de Antônio Poteiro, Tenreiro, Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Iole de Freitas, Bruno Giorgi e, como sempre, Franz Krajcberg

Entre os quadros, destacam-se ainda um Guignard, Anunciação (avaliado entre R$ 100 mil e R$ 150 mil), uma raridade pelo tema de que trata, segundo Bergamin. Já o óleo sobre tela Baiana, de Cândido Portinari, em que pese a qualidade do quadro, é um tema bastante visitado pelo pintor. "Com este leilão poderemos saber a temperatura do mercado, já que conseguimos 134 obras, quantidade de suficiente para se avaliar as tendências desse ano", conclui Bergamin.

Jornal Estadão
27/04/2004