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Tadeu Jungle usa texturas e sentimentos em mostras
Maria Hirszman
Artista plástico explora poder poético
da imagem em mostras simultâneas na Galeria
Valu Oria, que serão abertas hoje
São Paulo - Tadeu Jungle inaugura esta
noite na Galeria Valu Oria não uma, mas
duas exposições, que se inter-relacionam
de forma indireta, compondo um panorama complexo
de imagens, uma trama na qual se mesclam o mundo
das aparências e um mergulho mais profundo,
na intimidade do artista.
O próprio título das mostras ajuda
a compreendê-las. A primeira delas, Chão,
reúne uma série de imagens fotográficas
(feitas na areia das praias cariocas ou nas texturas
e manchas de cor encontrados no asfalto paulistano).
A segunda, O Espetáculo da Solidão,
que tem um caráter de instalação,
associa e potencializa imagens muito coladas à
vivência do artista, que trazem para fora
sentimentos de solidão e abandono.
Numa sala totalmente escura, ao som irritante
de uma torneira pingando, o visitante tem acesso
a uma coleção de imagens. Mas o
olhar é seletivo e depende do uso de uma
lanterna. Ao centro, um armário vazio simboliza
a separação; ao fundo há
um pequeno vídeo no qual vemos Jungle explodir
numa crise de choro. Sobre essa revelação
pública da fragilidade íntima, ele
explica: "É meu espírito dionisíaco,
meu lado mais Zé Celso." A criticável
dissolução do limite da privacidade
também provoca, incomoda e revela quão
pouco se está disposto a ver a dor do outro.
Realmente a cena do homem sofrendo dentro de
seu automóvel contrasta fortemente com
os dois vídeos (São Paulo Hip Hop
e São Paulo Rock & Roll) que fazem
parte da mostra Chão. Os caleidoscópios
de carros filmados de cima lida com o vocabulário
da criação plástica e estética
(superfície, movimento, repetição,
autonomia da imagem). Já O Espetáculo
da Solidão mergulha e extrai dos subterrâneos
os elementos dessa trama.
Jornal Estadão
30 /07/2004
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