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Museu de Arte Moderna de São Francisco
exibe obras de Roy Lichtenstein
Sabrina Valle - Globo Online
SÃO FRANCISCO - Em uma entrevista feita
em 1963, Roy Lichtenstein (1923-1997) disse que
queria produzir uma arte tão "desprezível"
que ninguém ia querer pendurar seus trabalhos
na parede. Talvez nem ele na época imaginasse
que colecionadores chegariam a pagar milhões
de dólares por uma de suas obras. Seu trabalho,
fortemente ligado à cultura de massa e
à estética dos quadrinhos e da publicidade
(com cores fortes e contornos negros e grossos),
marcou a Pop Art. Parte de sua obra estará
exposta até 22 de fevereiro no Museu de
Arte Moderna de São Francisco (SFMoma).
A exibição mostra a evolução
da obra do artista, com mais de 65 trabalhos produzidos
desde a década de 60 até pouco antes
de sua morte, em 1997, por pneumonia. O trabalho
de Lichtenstein usa humor e ironia e contesta
o conceito de arte na era da reprodução
em massa.
No SFMoma, o visitante pode chegar pertinho das
obras e observar que a maior parte dos quadros
são de óleo sobre tela, embora a
poucos passos para trás pareçamimagens
reproduzidas em pôsteres. O uso da técnica
já foi citado como um paradoxo, já
que Lichtenstein usa a mais clássica forma
de pintura para criar imagens tipo "cartoon"
como o Mickey, o chiclete Bazzoka (uma marca popular
nos EUA) ou mulheres de pele rosa e de cabelos
amarelo forte.
Lichtenstein também recorre ao uso do
óleo sobre tela nas pinturas compostas
por milhares de pontinhos uniformes (uma de suas
marcas mais fortes) para fazer o contraste de
cores e sombras, como um reducionismo do que seria
uma fotografia ampliada até que os grãos
dela saltem aos olhos.
Seguindo essa mesma linha, algumas de suas pinturas
são livremente inspiradas em obras de artistas
modernistas. Assim como Picasso fazia, Lichtenstein
reproduzia quadros de pintores célebres
à sua maneira. No SFMoma pode ser visto
um trabalho baseado num estudo de luz de Monet
(trio de painéis do artista francês
mostra uma igreja gótica em três
diferentes horas do dia) em que Lichtenstein substitui
as pinceladas do artista francês por pontos.
"O 'cartooning' meio que diz que isso não
é exatamente uma pintura, é só
a reprodução de um lixo ou algo
do gênero. Então os pontos, as linhas
e coisas do tipo sugerem que não se trata
de uma obra de arte séria", disse
ele em uma entrevista reproduzida no site da Fundação
Lichtenstein ( www.lichtensteinfoundation.org).
O trabalho com personagens do desenho do Mickey
e do chiclete Bazzoka, grosso modo, lembra o que
Keith Haring fazia com símbolos pop como
Marilyn Monroe.
Além disso, Lichtenstein dizia que mesmo
que seu trabalho representasse ou reproduzisse
uma imagem, a obra em si era essecialmente uma
"imagem bidimensional, um objeto", um
reducionismo de uma realidade. Ele defendia que
toda forma de pintura está baseada em convenções
e exemplifica: os traços paralelos que
são feitos no desenho de um espelho são
apenas uma convenção, já
na na realidade eles não existem. Uma pessoa
desenhou assim pela primeira vez e outras passaram
a seguir a representação. Lichtenstein
pintou mais de dez tipos de espelhos, objeto que
considerava difícil de reproduzir sozinho,
sem as imagens invariavelmente refletidas.
Além dos trabalhos de Lichtenstein e do
extenso acervo próprio, que faz o SFMoma
um dos melhores de arte moderna do mundo, o museu
exibe até janeiro uma outra mostra especial.
A 'Glamour' apresenta obras de diferentes artistas
da moda, da arquitetura e do desenho industrial
com mais de cem peças entre móveis,
carros, vestidos e projetos arquitetônicos.
Todos, como um automóvel Jaguar, vestidos
Paco Rabanne e o projeto da loja da Prada em Tóquio,
compartilham da mesma complexidade, riqueza de
padrões e de materiais suntuosos. Um luxo
só.
Serviço:
SFMoma - 151 Third Street, São Fracisco,
Califórnia. Tel: (415) 357-4000.Horário:
Segundas-feiras, terças-feiras, sextas-feiras,
sábados e domingos das 11h às 18h.
Às quintas-feiras, até as 21h. Fecha
às quartas-feiras. Ingresso a US$ 10 para
o acervo próprio e US$ 15 para também
as mostras Glamour e Lichtenstein.
* Sabrina Valle viajou a convite de Ski Lake
Tahoe e American Airlines
Jornal O Globo
29/12/2004
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