Muros Pichados viram Paisagens Imaginárias
de Adriana Rocha
Processo é transformado em livro, com
fotos de Nino Rezende, que será lançado
na Galeria Nara Roesler, dia 18 de dezembro,
das 12h às 15h

A artista plástica Adriana Rocha, com
o apoio da Prefeitura e da Petrobras, desenvolveu
ao longo do segundo semestre de 2004, quatro
enormes pinturas públicas em São
Paulo: na empena lateral do prédio da
Subprefeitura da Zona Norte (Santana/Tucuruvi),
na Av. Tucuruvi; em um dos pilares do Viaduto
Antártica, na Av. Francisco Matarazzo;
mural de 3 metros de altura por 27 de comprimento,
na esquina da Al. Cleveland com al. Ribeiro
da Silva; e mural de 8 metros de altura por
21 de comprimento, na parede lateral do Mercado
da Penha, na Rua Gabriel Mistral, 160. Em todos
os espaços ela substituiu paredes pichadas,
marcas da tensão urbana, por paisagens
silenciosas, conforme a sua reconhecida capacidade
de construir espaços impregnados de densa
atmosfera poética. “Em lugar do
que é franco e expansivo ela oferece
a retração, o embaciamento, a
névoa do silêncio”, escreve
o crítico Agnaldo Farias sobre a obra
da artista no catálogo de uma de suas
exposições.
Este projeto de Adriana surgiu por sua preocupação
pelo número limitado de pessoas que tem
acesso à arte contemporânea. “Acredito
que o contato com a arte, ainda que no paredão
de um parque ou no muro de uma grande avenida,
possa operar naquele que a vê, talvez
colhido pela surpresa, uma ampliação
em sua capacidade de pensar o novo e com isso,
descobrir o até então impensado,
para si mesmo e para o coletivo”, declara
a artista.
O projeto não se limitou à intervenção,
Adriana quis investigar também como a
população interagia com estas
pinturas. “... a intervenção
de Adriana Rocha instaurou marcos provisórios,
que podem ser entendidos tanto como as relações
estabelecidas entre os moradores e usuários
daquele espaço e a artista no período
de tempo em que trabalhou no local, quanto como
o vínculo estabelecido entre as pessoas
que passaram a conviver com determinada Paisagem
Imaginária”, escreve Juliana Monachesi
em livro que registra todo o processo do trabalho,
com fotos de Nino Rezende, artista que também
colaborou na execução das obras.
A publicação será lançada
dia 18 de dezembro de 2004 (das 12h às
15h), na Galeria Nara Roesler (Av. Europa, 655
– SP).
Adriana Rocha (São Paulo, 1959) trabalha
em seu ateliê há 15 anos e suas
três últimas individuais foram
realizadas na Galeria Nara Roesler, onde também
participou de coletivas, Lápis e Papel
(2000) e Portão Dois, (2002). Seu trabalho
vem se expandindo internacionalmente: Fundação
Taggini, em 1999 (Roma); Arte BA, em 2000 (Buenos
Aires); Valle e Patriani Art Gallery, em 2000
(Nova York); São Paulo ici – Bobigny
la bas, em 2001 (Paris).
09/12/2004