|
Rituais judaicos ao redor do mundo
Daniela Name
Todo ritual prevê repetições, mas a geografia
e a cultura às vezes têm o poder
de alterá-las. A exposição
“Observances”, que o Centro Cultural
da Justiça Federal abre hoje para o público,
mostra exatamente isso. Produzida pelo Museu Judaico
do Rio de Janeiro, a mostra reúne 64 fotos
do filipino Emmanuel Santos que mostram semelhanças
e diferenças nas tradições
judaicas ao redor do mundo.
Santos não recorre nem a montagens nem
a cenários para flagrar cenários
aparentemente triviais, como varais de roupa,
salas de estudo, cemitérios, becos e ruas.
O fotógrafo filipino começou seu
projeto quando foi morar em Melbourne, na Austrália.
Lá, começou a fotografar os rituais
judaicos, mas também as tradições
de outras religiões e povos.
Santos nunca veio ao Rio. Tentou conhecer a cidade
agora, com a inauguração da exposição,
mas não conseguiu vôos.
— Ele talvez viesse não só
para fotografar as tradições judaicas,
mas outras peculiaridades da cidade — conta
Michel Mekler, produtor da exposição.
A montagem tem quatro núcleos —
“Noite” “Alvorada”, “Luz”
e “Crepúsculo”. As imagens
revelam desde o encontro do Dalai Lama com o grão-rabino
de Melbourne a um típico casamento judaico
no interior da Toscana, passando pelo interior
de uma sinagoga na Ucrânia. Há ainda
o bar mitzvah (a maioridade religiosa dos judeus
homens, que, aos 13 anos, lêem a Tora em
público pela primeira vez).
A exposição tem várias cenas
que não são identificáveis
geograficamente. As que mostram judeus vestidos
com a indumentária típica, por exemplo,
já que elas variam pouquíssimo ao
redor do mundo. Mas há outras que são
quase cartões-postais, como a que mostra
o costume de dar amendoins para os elefantes na
porta de uma sinagoga, na Índia. Os banhos
de novos convertidos também variam muito.
Nos lugares de praia, ele é feito entre
as ondas. Naturalmente.
Jornal O Globo
15/12/2004
|