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Museus do País vão funcionar como rede
Maria Hirszman

O presidente Lula assina hoje decreto que cria uma rede entre os museus para circulação de acervos, informatização, difusão de softwares e o acesso aos mecanismos de financiamento disponíveis


São Paulo - O presidente Lula deverá assinar nesta segunda-feira um decreto criando o Sistema Brasileiro de Museus. A idéia é integrar instituições museológicas de todo o País e estabelecer uma rede para incrementar ações entre elas, como a circulação de acervos, informatização, difusão de softwares e o acesso aos mecanismos de financiamento disponíveis. A medida chega justamente num momento de alerta do País sobre a questão da segurança das obras nos museus, a partir do caso do roubo de 24 livros raros, dos séculos 16 a 20, do Museu Nacional do Rio, na Quinta da Boa Vista.

Em discussão há mais de um ano e envolvendo mais de mil técnicos de uma centena de museus, esse projeto do governo segue os moldes de outros mecanismos do gênero em operação em outros países - como Espanha, França e Portugal. "Nossa intenção é a melhoria de toda a rede museológica do País", afirma José Nascimento Jr., diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais, em entrevista ao Estado. Segundo ele, esse estímulo ao intercâmbio vem acompanhado também de medidas como o aumento em 47% dos recursos destinados aos museus. Outra alteração importante, segundo ele, foi a alteração da norma para permitir que outros museus, que não os federais, tenham acesso às verbas disponíveis, podendo candidatar-se aos editais de requalificação que serão reabertos. Além da melhoria do parque museológico essas medidas podem ter impactos positivos no emprego e no fomento ao turismo, acredita Nascimento.

Existem atualmente 2 mil museus em todo território nacional, o que não é um número desprezível. O problema é que há grande concentração dessas instituições em poucas cidades. Segundo o IBGE, apenas 16% dos municípios brasileiros têm museus. "Isso significa que grande parte da nossa memória local não está sendo preservada", lamenta ele, que vem coordenando há mais de um ano as discussões que levaram à formação do Sistema.

Jornal Estadão
14/05/2004