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Portinari ganha "Catálogo Raisonné"
Beatriz Coelho Silva
Obra do pintor Cândido Portinari foi catalogada em cinco
volumes, depois de 25 anos de pesquisa, que serão
lançados na 26.ª Bienal

Auto-Retrato de Portinari, de 1957, e, à
direita, seu filho, João Cândido,
no lançamento da moeda comemorativa do
centenário do artista
Rio de Janeiro - Foram 25 anos de pesquisa. Finalmente,
ontem, o filho do pintor Cândido Portinari,
João Cândido, apresentou o Catálogo
Raisonné de seu pai, resumo de sua obra,
num total de 4.991 itens descritos por tema, suporte,
técnica e data. O lançamento oficial
será na 26.ª Bienal Internacional
de São Paulo, mas os cinco volumes do catálogo
(também em CD-ROM) já podem ser
comprados por R$ 2 mil. O primeiro foi entregue
à diretora da Casa de Portinari, em Brodowski,
Angélica Fabbri. Foi lá, na Fazenda
Santa Rosa, onde seus pais eram colonos, que Portinari
nasceu em 1903 e passou toda a infância.
O Catálogo era o mais ambicioso projeto
de João Cândido para comemorar os
100 anos de nascimento do pai, mas só foi
possível realizá-lo com patrocínio
da Petrobrás, que investiu R$ 1,8 milhão
pela Lei Rouanet e o incluiu na comemoração
dos 50 anos da empresa. "Foi uma luta, desde
1978, quando criamos o Projeto Portinari",
contou João Cândido. Na pesquisa,
ele e outro professor criaram um método
de atribuição de autoria com parâmetros
de informática avançada.
Há referência às obras de
Portinari conhecidas e/ou citadas em cartas, bilhetes,
artigos de jornais e revistas, um total de 30
mil documentos analisados pelo Projeto Portinari.
"Das 4.991 obras, há 825 cujo paradeiro
é desconhecido e talvez muitas das quais
sequer ouvimos falar", avisa João
Cândido. "O Catálogo Raisonné
é uma ferramenta para o pesquisador e para
o mercado de arte porque congela a obra e dificulta
a falsificação."
Apesar de focado em um pintor, o modelo de catálogo
de Portinari serve a outros gêneros de expressão.
"A partir da vida e da obra de um artista,
estudamos o pensamento o de sua geração",
explicou João Cândido. Além
da biografia do pintor, há cartas trocadas
com amigos e referências à sua obra,
de contemporâneos de ele, como Carlos Drummond
de Andrade.
Lançado o Catálogo, João
Cândido busca agora realizar outro plano
ambicioso, o Memorial Portinari, a ser construído
em Brodowski, na fazenda onde ele nasceu. O projeto
é de Oscar Niemeyer, companheiro do pintor
na militância política (ambos eram
comunistas) e em várias obras, como a Pampulha,
em Belo Horizonte. O memorial terá um auditório
para 500 pessoas e um espaço para exposições
de mil metros quadrados, mas não está
sequer inscrito em leis de patrocínio federais
ou estaduais.
Já a popularização da obra
de Cândido Portinari está em pleno
vapor. Desde 2001, réplicas computadorizadas
de seus quadros são levadas a escolas,
presídios, cidades que margeiam os grandes
rios brasileiros. Atualmente, parte do projeto
percorre cidades ribeirinhas do Amazonas, também
com patrocínio da Petrobrás. Em
2005, deve ser mostrada no São Francisco.
"Em contato com a obra, as pessoas, especialmente
as crianças que têm um olhar mais
aguçado, refletem sobre o País."
Jornal Estadão
16/08/2004
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