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Pombos revelam afresco escondido há três
séculos
AE-AP
Reprodução/AP
Parte do afresco descoberto no teto da catedral
de Valência
Um primoroso afresco com imagem de anjos, obra
da renascença, esteve recoberto por mais
de três séculos atrás de um
teto falso
Madri - Pombos esvoaçando através
de um buraco no teto da catedral de Valência
levou uma equipe de restauradores a descobrir
um primoroso afresco com imagem de anjos, obra
da renascença, que esteva recoberto por
mais de três séculos, anunciou hoje
o governo da província.
A equipe estava trabalhando no domo barroco da
catedral espanhola por mais de um mês, removendo
uma camada de tinta cinza e defendendo-se do vôo
dos pássaros, quando os técnicos
deram com o buraco, de onde ouviam-se os pombos
arrulhando. Os especialistas acreditam que encontraram
a obra de arte citada nos registros seculares
da igreja.
O chefe da equipe, Javier Catalá, inseriu
uma câmera digital dentro do orifício,
em tomadas às cegas, e obteve imagens parciais
mas espetaculares de um afresco bem preservado
que deve ter mais de 8 metros de diâmetro.
O teto barroco mostrou ser falso – há
um espaço de 80 cm entre ele e a pintura
-, recobrindo o afresco feito pelos pintores italianos
Francesco Pagano e Paolo de San Leocadio. O trabalho
lhes foi encomendado pelo enviado papal Rodrigo
Borja, um espanhol que viria a tornar-se ele mesmo
papa, sob o nome de Alexandre VI.
“Ficamos pasmos”, disse Ana Perales,
do departamento regional de cultura.
O teto escondeu o afresco por mais de 330 anos.
As fotos da pintura mostram partes de quatro anjos
contra um fundo azul estrela, todos rodeados por
aplicações em folhas de ouro.
Os registros mostram que, quando os pintores
terminaram o afresco, em 1481, os clérigos
não gostaram e recusaram-se a pagar o preço
estipulado de 3.000 ducados de ouro.
A catedral de Valência data de 1262, mas
não ficou realmente pronta até o
século 18.
Jornal Estadão
28/06/2004
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