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Museu exibe pergaminhos do Mar Morto no Rio
Beatriz Coelho Silva
Expostos no Museu Histórico Naciona, os
manuscritos foram achados em 11 cavernas do deserto
de Qumran, enterrados entre 200 a.C. e 70 da nossa
era, segundo testes arqueológicos

Fabio Motta/AE
A mostra Pergaminhos do Mar Morto: Um Legado Para
a Humanidade fica no Rio até 9 de outubro
e, a partir de 29, será exibida na Pinacoteca,
de São Paulo
Rio de Janeiro - Descobertos a partir de 1947
no atual território de Israel, os Pergaminhos
do Mar Morto, que teriam originado parte do Antigo
Testamento, começam a ser conhecidos de
perto pelos brasileiros hoje, quando o Museu Histórico
Nacional abre sua exposição ao público.
Quem visitá-la poderá ver a importância
histórica dos textos (base do judaísmo,
do cristianismo e do islamismo) e a região
onde foram achados, uma das mais inóspitas
do mundo, o que ajudou a conservá-los devido
à baixa umidade (inferior a 50%) e ao calor
(entre 30º e 35º).
São dez pergaminhos (três originais
e sete réplicas), 80 objetos e traduções
que permitem comparar os manuscritos com textos
bíblicos. Os manuscritos foram achados
em 11 cavernas do deserto de Qumran. Segundo testes
arqueológicos, foram enterrados entre 200
a.C. e 70 da nossa era, pelos essênios,
uma seita judaica à qual Jesus Cristo,
supostamente, teria pertencido, segundo alguns
estudiosos. Entre os 800 textos encontrados, há
os que constam da Bíblia judaica (que corresponde
ao Antigo Testamento cristão), outros apócrifos,
contando passagens bíblicas, mas não
considerados de inspiração divina,
e sectários, com normas de conduta da seita.
“Os essênios são o elo entre
judeus e cristãos, pois eram do primeiro
grupo, mas tinham rituais e normas diferentes,
adotados pelos seguidores de Cristo. Eles devem
ter enterrado esses pergaminhos acossados pelos
romanos que acabaram por destruir o país.
Até hoje, os objetos sagrados judaicos
são enterrados para evitar sua posse por
infiéis”, explica o produtor da mostra,
Luiz Calina. “Os mais antigos e depositados
mais longe do assentamento estão em melhor
estado, porque foram envolvidos em tecido e colocados
em vasos de cerâmica. Os mais próximos
e recentes foram simplesmente enterrados.”
A exposição começa com a
paisagem de Qumran reproduzida em posters e objetos
cotidianos da população local da
época dos manuscritos. Para chegar a eles,
o visitante atravessará uma réplica
das cavernas onde foram encontrados. Em vitrines,
estão partes dos livros do Êxodus,
Deuteronômio, Isaías e Levíticos,
Salmos e Profetas (esses três originais),
um calendário essênio, que é
solar, como o nosso, e não lunar, como
o judaico, e salmos sectários. “Todos
são poéticos, metafóricos,
num estilo literário religioso”,
informa Andrea, mulher de Calina e sócia
na empreitada de trazer os manuscritos ao Brasil.
A mostra Pergaminhos do Mar Morto: Um Legado
Para a Humanidade fica no Rio até 9 de
outubro e, a partir de 29, vai para a Pinacoteca,
de São Paulo. Calina e Andrea calculam
que o público nas duas cidades ultrapasse
as mostras de Picasso e dos guerreiros chineses,
pela conotação religiosa dos manuscritos.
“Nossa intenção é mostrar
que judaísmo, cristianismo e islamismo
têm origens e características próximas
e podem chegar ao consenso”, disse Andrea.
A diretora do MHN, Vera Tostes, conta que, a
partir do anúncio da mostra, surgiu todo
tipo de pedidos de visita. “Há escolas
confessionais e leigas, grupos de estudos bíblicos
e até um senhor que tem uma Bíblia
antiga, que quer comparar o texto impresso nela
com o dos pergaminhos”, diz ela. “Na
medida do possível, atenderemos a todos.”
Pergaminhos do Mar Morto: Um Legado Para a Humanidade
- Pça Marechal Âncora, s/n, 21- 2550-9256
Jornal Estadão
25/08/2004
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