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Obras do modernismo ganham exposição
pública
Camila Molina
Exposição na Pinacoteca marca
o acordo firmado pela família Nemirovsky
para liberar de sua casa obras de mestres como
Segall, Di Cavalcanti, Rego Monteiro, Brecheret,
Volpi e Tarsila do Amaral

No alto, Antropofagia, de Tarsila do Amaral. Acima,
Baby, de Lasar Segall, da Casa Guilherme de Almeida
São Paulo - Entre as duas centenas de
obras da coleção da família
Nemirovsky, em São Paulo, está um
dos quadros emblemáticos do modernismo
brasileiro: Antropofagia (1929), de Tarsila do
Amaral. Também formam a Coleção
Nemirovsky trabalhos de Lasar Segall, Di Cavalcanti,
Rego Monteiro, Brecheret, Volpi, num acervo forte
em torno do modernismo. Agora, essas obras saem
da sala da família para uma exposição
temporária, a partir de uma parceria firmada
entre a Pinacoteca do Estado e a Fundação
José e Paulina Nemirovsky.
Um comodato de cinco anos, renováveis,
foi assinado e, para marcá-lo, será
inaugurada hoje à noite, na Estação
Pinacoteca, a mostra Mestres do Modernismo. Com
curadoria de Maria Alice Milliet - diretora técnica
da fundação há quatro anos
-, a exposição ficará em
cartaz até junho de 2005. No acordo, ficou
acertado que o segundo andar da Estação
Pinacoteca será destinado à fundação
e suas obras de arte. A primeira etapa é
esta mostra inaugural, formada por 50 obras tanto
da Coleção Nemirovsky quanto dos
acervos da Pinacoteca, da Casa Guilherme de Almeida
e dos Palácios do Governo do Estado de
São Paulo (o dos Bandeirantes e da Boa
Vista, em Campos do Jordão).
O casal José e Paulina Nemirovsky começou
a adquirir o acervo na década de 60 e só
parou em 1987, quando dr. José morreu.
Antes disso, ele e dona Paulina, hoje com 80 anos,
criaram a fundação que leva seus
nomes. A coleção ficou conhecida
pela qualidade das obras, todas elas adquiridas
a partir do olhar cuidadoso de dr. José,
que fez o acervo ao seu gosto. O núcleo
mais forte é do modernismo brasileiro,
com obras dos anos 20 a 60. Mas há também
arte colonial e gravuras e desenhos de mestres
europeus (como Chagall, Léger, Braque,
Grosz) e brasileiros (como Lívio Abramo,
Goeldi, Segall de novo).
A oportunidade de abrigar a coleção
"é sonho de qualquer museu",
diz Maria Alice. Muito raro haver um conjunto
de obras tão emblemáticas do modernismo,
"talvez o MAC (Museu de Arte Contemporânea-USP)
se aproxime disso". Dr. José adquiriu
as obras modernistas numa época em que
seus preços não eram tão
altos como hoje, a ponto de os museus não
conseguirem comprá-las.
Por meio dessa parceria estão programadas
três exposições. A primeira
é esta, Mestres do Modernismo, com obras
das décadas de 20 e 30, da primeira geração
do movimento que "já é história,
já é datado". A segunda será
a partir das décadas seguintes, começando
com obras de Portinari. A terceira, de construtivos.
Todas elas vão virar livro, ao mesmo tempo,
cada uma das obras será acompanhada por
fichas que contêm análise concisa
sobre aquela peça, o artista e o contexto
em que foi criada. A pesquisa e organização
desses materiais é de Maria Alice em conjunto
com Regina Teixeira de Barros.
Mestres do Modernismo - Estação
Pinacoteca. Largo General Osório, 66, Luz.
Telefone: 222-8968. das 10 às 18 horas
(fecha segunda-feira). Ingressos a R$ 4,00. Entrada
franca aos sábados. Até junho de
2005. Abertura hoje, a partir das 19h30, para
convidados, e amanhã, para o público.
Jornal Estadão
01/09/2004
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