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Museu Munch reabre após roubo de "O
Grito"
AE, AP e BBC
Museu norueguês reabriu dois dias após
o roubo das telas O Grito e Madonna, de Edvard
Munch. Polícia diz que ladrões agiram
de forma amadora e foram fotografados
Oslo e Londres - O Museu Munch, de Oslo, reabriu
dois dias depois de as obras O Grito e Madonna,
de Edvard Munch, terem sido roubadas na frente
dos visitantes, por dois ladrões encapuzados,
em plena luz do dia. Uma revista norueguesa ofereceu
uma recompensa para quem tiver informações
sobre o paradeiro das obras, enquanto um jornal
publicou em sua primeira página a frase:
"Bandidos. Devolvam O Grito e Madonna".
As obras não estavam seguradas contra roubo,
apenas contra danos provocados por incêndio
ou inundação do museu.
O policial local Iver Stensrud disse que a investigação
continua com força total, mas que não
há novos suspeitos ou provas. "Não
é a quantidade de provas que importa, mas
seu conteúdo", disse. Segundo o site
da BBC, para a polícia, os ladrões
agiram de forma amadora. "Os dois homens
pareciam não saber exatamente onde estavam
pendurados os quadros. Além disso, eles
se espatifaram contra uma porta de vidro ao entrar
no museu e derrubaram as pinturas no chão
duas vezes antes de escapar. Um visitante do Museu
Munch, em Oslo, tirou várias fotos dos
homens mascarados e armados. As molduras das duas
obras roubadas (eles levaram também o quadro
Madonna) já foram encontradas, assim como
o carro da fuga.
Funcionários do museu e especialistas
em arte disseram estar preocupados com o estado
de preservação de O Grito. Isso
porque ele não foi pintado sobre tela,
mas sim sobre cartolina, e poderia não
resistir ao ser retirado de sua moldura. Especialistas
dizem que é impossível conseguir
vender essas obras e que esperam agora um pedido
de resgate. O diretor do museu, Gunnar Sorensen,
defendeu em entrevista à Radio 4 da BBC
os mecanismo de segurança do local. Segundo
ele, trata-se de uma "grave perda",
e talvez esta versão de O Grito "nunca
mais seja vista".
O Grito, uma das obras mais famosas de Munch,
que foi exposta no Brasil na 23.ª Bienal
de São Paulo, em 1996, mostra uma pessoa
com olhar angustiado com as mãos na cabeça
e a boca bem aberta. Finalizada em 1893, esta
é uma das quatro versões da pintura.
Muitas pessoas, incluindo a rainha Sônia,
da Noruega, expressaram sua tristeza com o roubo
da obra. "É muito triste quando tesouros
nacionais são expostos a tais coisas. Temos
que rever o modo como protegemos esses tesouros",
disse a rainha. O museu tinha alarmes, câmeras
de segurança e guardas desarmados. Mas
pouca coisa poderia ter impedido o roubo.
Hoje, o jornal de Oslo Dagsavisen trouxe em sua
primeira página um pedido aos ladrões:
"Pelo interesse de muitos: Bandidos. Devolvam
O Grito e Madonna". A revista semanal Se
og Hoer ofereceu uma recompensa de 100 mil kroner
(equivalentes a US$ 14.800) por informações
que levassem aos ladrões. Muitos especialistas
acreditam que os ladrões levaram as pinturas
com planos de obter um resgate ou para ganhar
fama no mundo do crime, pois as duas obras são
muito famosas para serem revendidas. Em 1994,
uma outra versão de O Grito foi roubada
da Galeria Nacional de Oslo, e foi recuperada
alguns meses depois.
O pintor norueguês desenvolveu um estilo
carregado na emoção que teve muita
importância no movimento expressionista
do século 20. O Grito e Madonna fazem parte
da série Frieze of Life, na qual doença,
morte, ansiedade e amor são os tema principais.
Munch morreu em 1944, aos 80 anos.
Jornal Estadão
26/08/2004
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