Paris - O fotógrafo francês
Henri Cartier-Bresson, um dos mais importantes
mestres da fotografia do século 20 e um
dos pais do fotojornalismo, e que capturou imagens
dos dramas humanos durante meio século,
morreu aos 95 anos de idade, em l´Isle-sur-la-Sorgue,
na França. Apesar de ter falecido na segunda-feira,
só hoje, dia de seu enterro, é que
sua morte foi divulgada pela imprensa francesa.
"A câmera é um prolongamento
de meus olhos", costumava dizer o fotógrafo
que não gostava de flashes. Cartier-Bresson
fotografou para as grandes revista do mundo,
Life, Vogue, Harper´s Bazaar e seu trabalho
inspirou gerações de fotógrafos.
Ele fundou com Robert Capa a agência cooperativa
de fotos Magnum, em 1947.
Cartier-Bresson era como um tesouro nacional
na França, e curiosamente completamente
avesso a ser retratado ou conceder entrevistas.
Seu estilo intimista o tornou um mestre indiscutível
da escola francesa de fotografia.
No ano passado, a Biblioteca Nacional, em Paris,
abordou a vida e a obra de Cartier-Bresson,
exibindo 350 de suas fotografias na retrospectiva
De Quem Se Trata?. Também no ano passado,
Cartier-Bresson, fundou com sua mulher Martine
Franck, com quem foi casado por mais de 30 anos,
a Fundação Henri Cartier-Bresson,
a primeira dedicada à fotografia na França.
Seja fotografando o funeral de Mahatma Gandhi,
na Índia, ou o pintor Henri Matisse,
em casa, Cartier-Bresson buscava representar
o sentimento do momento com seu estilo clássico
e sua composição geométrica.
“Em tudo que alguém faz deve existir
uma relação entre o olho e o coração”,
ele disse certa vez. “Com o olho que está
fechado, a pessoa olha para dentro, com o que
está aberto, para fora.”
Seu conceito se baseava no que ele descrevia
como o “momento decisivo”, com os
elementos perfeitamente localizados. Cartier-Bresson
registrou lugares, culturas e celebridades,
políticos e desconhecidos que ficaram
imortalizados em imagens feitas por ele. Cartier-Bresson
criticava fotos montadas e dizia que os fotógrafos
deveriam fazer seu trabalho de forma rápida
e exata.
Cartier-Bresson nasceu em 22 de agosto de 1908,
em Chanteloup, nos arredores de Paris. Era filho
de um industrial do ramo de tecidos. Em 1930,
ele começou uma viagem por países
europeus como Polônia, Áustria,
Alemanha e Itália, entre outros, da qual
resultou uma série de fotografias publicadas
em diversas revistas. Sua primeira Leica, máquina
que ajudou a notabilizar, foi comprada em 1932.
E sua primeira exposição aconteceu
em Madri em 1933.
Suas brilhantes fotos dos anos 1930 mostram
cenas urbanas. Os críticos dizem que
sua foto mais brilhante é Atrás
da Estação Saint-Lazare, que mostra
um homem pulando uma poça d’água,
com sua sombra refletida na água, formando
uma perfeita simetria vertical. Autor de imagens-ícones
como a cena de um menino carregando orgulhoso
uma garrafa de vinho, os revolucionários
chineses, a Guerra Civil Espanhola. Chegou a
ser preso pelos alemães em 1940 e depois
aliou-se à Resistência, fotografando
depois a libertação francesa.
Em 54, foi o primeiro fotógrafo ocidental
a receber autorização para visitar
a União Soviética.
Cartier-Bresson também trabalhou no
cinema como assistente do diretor francês
Jean Renoir no clássico As Regras do
Jogo, além de ter realizado dois documentários
importantes, sobre a ajuda médica prestada
aos partidários da Guerra Civil Espanhola,
e sobre a volta para casa dos prisioneiros de
guerra, com o fim da 2.ª Grande Guerra
Mundial.
Depois de fundar a Magnum, seu trabalho começou
a ser exposto em galerias e museus ao redor
do mundo. Em 1979, o melhor de seu trabalho
foi exposto no Centro Internacional de Fotografia
de Nova York e viajou durante três anos
por 15 cidades dos Estados Unidos e México.
Ele também escreveu vários livros,
entre eles O Momento Decisivo, publicado em
1952. Nos últimos 25 anos, Cartier-Bresson
se afastou da fotografia e abraçou seu
primeiro amor, a pintura. Cartier-Bresson nasceu
em 22 de gosto de 1908, em Chanteloup, nos arredores
de Paris. Era filho de um industrial do ramo
de tecidos. Ele deixa três filhos.