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Maior, mais bonito e mais intimista
Helena Celestino
Correspondente NOVA YORK
O Museu de Arte Moderna (MoMA) está de
volta a Manhattan. Reabre amanhã, mais
bonito e muito maior, novo o suficiente para despertar
paixões à primeira vista, mas deliciosamente
igual para cada um reatar a sua história
de amor com o museu, interrompida há dois
anos e meio, quando fechou para a grande reforma.
É o velho MoMA, reinventado com delicadeza
japonesa pelo arquiteto Yoshio Taniguchi, mas
com o dobro do tamanho e uma maneira nova de mostrar
a maior coleção de arte moderna
e contemporânea do mundo. A reforma transformou-o
num espaço mais impactante, mas também
mais intimista, com seus muitos planos superpostos,
luz jorrando por clarabóias, janelões
e paredes de vidro, com a cidade de Nova York
entrando galerias adentro.
— Este é um lugar de paz. Eu queria
alguma coisa confortável, que convidasse
as pessoas a se encontrarem — diz Taniguchi,
com seu jeito zen.
Conseguiu mais do que isso. Integrou o passado
do museu — os vários prédios,
construídos em épocas diferentes
— numa fachada única em mármore
negro, painéis de vidro cinza e branco,
criando uma composição entre o abstrato
e o realista. Construiu um átrio monumental
para ligar as entradas das ruas 53 e 54, um espaço
elegante em suas colunas brancas, de onde se vislumbram
as primeiras obras-primas distribuídas
pelos seis andares do prédio. E ainda acabou
com aquele ar de shopping, deixando as escadas
rolantes aparecerem só a partir do segundo
andar.
— Ficou muito mais bonito do que qualquer
um de nós imaginava — diz um eufórico
Glenn Lowry, diretor do museu, lembrando que a
volta do MoMA é mais um símbolo
da revitalização pós-atentados
no 11 de Setembro.
A partir de amanhã e até janeiro,
a principal atração do MoMA é
ele mesmo e a reinstalação de suas
coleções, enriquecidas por centenas
de obras expostas pela primeira vez. As mostras
provisórias vão girar em torno do
museu, seu passado e sua renovação.
A entrada está mais cara — US$ 20
— mas por quatro anos, às sextas-feiras,
as portas estarão abertas, de graça,
entre 16h e 20h. Ficou mais confortável,
com dois cafés para comidinhas rápidas
e um restaurante sofisticado — The Modern
— com um chef famoso, o alsaciano Gabriel
Kreuther.
— Aqui é o lugar mais excitante
do mundo. Aqui se tem um panorama da arte moderna
e contemporânea, mas também é
um laboratório de novas experiências
— comemora Lowry.
O coração do museu continua sendo
o jardim das esculturas, também com o dobro
do tamanho anterior. Já está lá
de novo a cabrinha de Picasso — a “She
goat” — acompanhada de 30 outras das
mais belas esculturas do mundo. É de lá
também que o museu se mistura mais intimamente
à cidade, num refúgio verde de onde
se vêem o perfil dos arranha-céus
de Nova York e as formas góticas da Igreja
Episcopal de Saint Thomas. Numa inversão
do jeito tradicional de apresentar a história
dos 125 anos da arte moderna e contemporânea,
o início desta aventura artística
foi parar no quinto andar do museu, com as pinturas
e esculturas de 1880 a 1945. No quarto piso, estão
as obras do meio do século XX aos anos
70. O terceiro ficou para desenhos, fotos, arquitetura
e design, e o segundo para os contemporâneos.
— O grande objetivo desta ampliação
foi dar mais espaço para os artistas contemporâneos
— diz o curador-chefe do Departamento de
Pinturas e Esculturas, John Elderfield.
Ele sabe que a maioria das pessoas vai direto
para o quinto andar, onde estão expostas,
em 11 galerias, as maravilhas da virada do século
XIX até o início dos anos 60 do
século XX, uma fabulosa coleção
de Cézanne, Van Gogh, Picasso, Matisse,
Miró, Magritte, Brancusi. No quarto andar,
os expatriados da França para a América
— Marx Ernest, Mondrian — são
homenageados e também estão lá
as obras-símbolo de Jackson Pollock, Francis
Bacon, passando pelas latas de sopas Campbell
de Andy Warhol e as telas monocromáticas
de Yves Klein.
— Parte da minha função é
fazer as obras muito famosas não se tornarem
muito familiares, porque senão elas ficam
parecendo reproduções — diz
John Elderfield.
Oglobo.com
19/11/2004
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