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Relíquias do Mar Morto ganham mostra em
São Paulo
Camila Molina
Depois de passar pelo Rio de Janeiro, a coleção
de pergaminhos e objetos históricos encontrados
na região é exibida na cidade

/Divulgação
Os manuscritos do Mar Morto, em hebraico, aramaico
e grego são os textos bíblicos mais
antigos
São Paulo - Pergaminhos do Mar Morto -
Um Legado para a Humanidade será inaugurada
hoje, no quarto andar da Estação
Pinacoteca, em São Paulo, depois de passar
pelo Museu Histórico Nacional do Rio. Os
grandes destaques são os fragmentos dos
pergaminhos com as escrituras mais antigas do
Velho Testamento cristão.
Foi graças às peculiaridades da
região do Mar Morto, situada na Grande
Fossa Africana, vale que se estende entre a Turquia
e o leste da África, que uma das mais importantes
preciosidades arqueológicas de todos os
tempos, sete rolos de couro contendo os Livros
da Bíblia Hebraica, se preservaram durante
mais de 2 mil anos.
Na motra o público poderá ver,
no total, dez pergaminhos - três originais
e sete réplicas, além de objetos
daquele período. Em 1947, dois beduínos
que cuidavam de seu rebanho de ovelhas e cabras
deram de encontro com uma caverna em Qumran, na
região do Mar Morto. Um deles, curioso,
jogou uma pedra na abertura da caverna antes de
entrar. Escutou o barulho de um jarro se quebrando
e nem podia imaginar o que continha aquele recipiente
de cerâmica - antes de serem descobertos
os pergaminhos, a fonte mais antiga de estudo
da Bíblia era o Códex de Alepo,
do século 10.º depois de Cristo. A
partir desse fato, diversas escavações
foram feitas entre 1951 e 1956 na região
de Qumran. Numa extensão de oito quilômetros,
11 cavernas foram identificadas num trabalho que
reuniu arqueólogos e beduínos. Atualmente,
a maioria dos manuscritos encontrados está
abrigada no Instituto de Antiguidades de Israel
do Museu Rockefeller, em Jerusalém. São
deles os materiais reunidos nesta atual exposição,
que desde 1992 circula por diversas cidades do
mundo.
Até se chegar aos pergaminhos, na última
parte da exposição, os visitantes
vão se ambientando com a época em
que eles foram redigidos e conhecer um pouco da
região do Mar Morto, por meio de fotos,
documentário, textos de parede que explicam
um pouco sobre a área onde está
o mar mais salgado do mundo, a ponto de nenhum
peixe ou planta conseguir sobreviver e faz sol
330 dias por ano, onde viviam os essênios.
"Um dos pontos mais importantes dessa exposição
é poder entrar em contato com o dia-a-dia
das pessoas que escreveram e guardaram os pergaminhos",
diz o curador Robert Kool, do Instituto de Antiguidades
de Israel. A exposição também
apresenta informações sobre a conservação
das escrituras realizada pelo Instituto de Antiguidades
de Israel, que em 1991 montou um laboratório
especial para o material antes armazenado em placas
de vidro. Fonte de pesquisa inesgotável,
a conclusão da Publicação
dos Pergaminhos do Mar Morto ocorreu em 2002,
mas há muito ainda para se descobrir.
Pergaminhos do Mar Morto: Um Legado para a Humanidade.
Estação Pinacoteca. Lgo. General
Osório, 66, Luz, 3337- 0185. 10h/18h (fecha
2.ª). R$ 4,00 - grátis aos sábados.
Até 27/2/05. Abertura hoje. www.marmorto.com.br
Jornal Estadão
26/11/2004
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