Fotos de Luiz Tripolli revelam beldades brasileiras
Júlio Maria

São Paulo - As grandes
beldades do fotógrafo Luiz Tripolli, clicadas
em 42 anos de profissão, estão na
exposição Quase Todos Meus Amores,
que começa hoje no Museu de Arte Brasileira.
O livro que leva o mesmo nome será lançado
esta semana. Homem que só faz fotos de
mulheres nuas se for para provocar o espectador,
Tripolli tem uma história que não
acaba. Foi o primeiro a dar, por exemplo, a justa
dimensão a Ana Paula Arósio, então
com 14 anos. Em entrevista ao Jornal da Tarde,
ele disparou suas críticas à "estética
da beleza burra", ao "padrão
Barbie" e ao tratamento "pedaço
de carne" que as revistas dão às
personagens.
Jornal da Tarde - Você sempre esteve rodeado
por beldades...
Isso é ilusão. Eu diferencio o mulherengo
do "galinha". O mulherengo gosta da
mulher e a trata bem. Como conseqüência,
tem o melhor delas. O "galinha" usa
as mulheres. O fotógrafo tem de ser um
mulherengo.
As revistas masculinas não estão
se repetindo?
Os fotógrafos estão perdendo o estilo.
Estão fotografando mulheres como se fossem
pedaços de carne. E as revistas ainda retocam
as fotos em computador. Se uma mulher tem de ser
retocada, é porque ela não deve
ser fotografada.
Não há mulheres bonitas sendo fotografadas?
A "estética burra" me irrita.
O Brasil é o país que tem o maior
número de mulheres bonitas do mundo. Mas
o padrão de beleza vem de fora e temos
de seguir o conceito "Barbie". Isso
não combina com o perfil de nossas mulheres.
O padrão de beleza não está
nas passarelas?
Há três ou quatro mulheres no São
Paulo Fashion Week que nasceram para aquilo, como
Gisele Bündchen e Ana Hickmann. Elas não
sofrem, são felizes. Mas quando vejo um
desfile me parece que o produtor foi a um necrotério,
pediu 20 defuntos de meninas e as colocou na passarela.
Qual é aquela grande foto que você
não fez?
Ainda quero fazer um ensaio com Gisele Bündchen.
Mulher bonita tem faixa etária?
Não deveria. Fiz um ensaio com Cristiane
Torloni há 22 anos. Se fizesse hoje, sairia
muito melhor. Ela está mais bonita.
Serviço:
Quase Todos Meus Amores - de Luiz Tripolli, no
Museu de Arte Brasileira, da Faap. De terça
a sexta, das 10 às 21 horas; sábado
e domingo, das 13 às 18 horas. Grátis.
3662-7198.
Jornal Estadão
06/08/2004
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