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Jardim da Casa Modernista é reaberto
Mauro Mug
Após 15 anos de abandono e já sem
as características originais, espaço
foi revitalizado
São Paulo - O mato e as ervas daninhas
deram lugar a um pequeno bosque. Em vez de mosquitos,
ratos e escorpiões, predominam os pássaros.
A quadra abriu espaço para dez árvores.
A partir de hoje, essa é a paisagem que
a população verá no jardim
da Casa Modernista, com 13 mil metros quadrados.
Depois de 15 anos de abandono, a cerimônia
de reabertura do local contou com a presença
do governador Geraldo Alckmin, hoje pela manhã.
A festa terá até bolo, oferecido
pela Sociedade de Defesa das Tradições
e Progresso da Vila Mariana.
O acesso ao sobrado, construído em 1927
pelo arquiteto russo Gregori Warchavchik, ainda
vai demorar um pouco. O imóvel, o primeiro
exemplar modernista construído na América
Latina, está cercado por tapumes. Na proteção,
há aberturas de onde se pode observar a
deterioração do terraço,
da piscina e da lateral da casa, que está
sem portas e janelas e perdeu parte do piso. O
telhado ameaça desabar por causa das infiltrações.
O jardim, projetado em 1930 pela mulher de Warchavchik,
Mina Klabin, perdeu as características
da época. Transformou-se num bosque, com
quase 200 árvores e bambuzal. A quadra
de tênis foi tomada por árvores,
incluindo uma palmeira, semeadas por pássaros
e pelo vento.
"Com a escassez de áreas verdes na
cidade, achamos que não valeria a pena
recuperar o jardim", explicou o diretor do
Departamento de Forma Cultural da Secretaria Estadual
de Cultura, Fernando Calvozo. "Fizemos a
limpeza, retirando o mato, as ervas daninhas e
plantas sem qualquer significado."
A visita é feita por uma trilha, chamada
de Caminho Modernista. Na caminhada, sob seixo
rolado, existem nove pontos de parada, onde placas
contam a história da Semana de Arte Moderna,
realizada em 1922.
Foram identificadas 30 das 40 espécies
existentes no local, mas só 15 têm
placas de identificação. As obras
no jardim começaram em julho, com a liberação
de R$ 200 mil pelo governo estadual.
O conjunto é tombado pelo Conselho de
Defesa do Patrimônio Arqueológico,
Artístico e Turístico (Condephaat)
desde outubro de 1984, graças à
mobilização da Associação
Pró-Parque Modernista para evitar que o
espaço se transformasse num condomínio
residencial.
Na segunda fase da reforma, será recuperado
o alojamento dos serviçais e a Casa de
Bonecas. O restauro da casa principal depende
de um plano de captação de recursos
com a iniciativa privada.
A Casa Modernista fica na Rua Santa Cruz, 235,
na Vila Mariana. A visita é grátis
e pode ser feita diariamente, das 8 às
18 horas.
Jornal Estadão
25/08/2004
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