Memorial
da AL festeja hoje o Dia de Yemanjá
Flávia Guerra
São
Paulo - Hoje é dia de Nossa Senhora das Graças, mais conhecida
como Yemanjá. Para os defensores do sincretismo brasileiro,
hoje é dia de os fiéis comemorarem na praia, tomarem banho
de mar e fazerem sua oferenda à rainha do mar. Houve um
tempo em que nesse dia, a Praia Grande, na Baixada Santista,
era tomada pelos filhos-de-santo que desciam a Serra do
Mar e faziam festa até o amanhecer. Nesses dias, durante
as décadas de 60 e 70, a fotógrafa Maureen Bisilliat pegava
sua câmera, viajava para Santos e passava a noite registrando
a homenagem.
"A praia era tomada de gente; um verdadeiro espetáculo,
uma cerimônia lindíssima. O mais impressionante era ver
praticantes do candomblé e da umbanda entrando juntos nas
águas do mar ao amanhecer", relembra a diretora do Pavilhão
da Criatividade do Memorial da América Latina.Para
ela, a Festa de Yemanjá sempre foi um dos grandes símbolos
da força que a religião exerce sobre o sincretismo cultural
brasileiro. "Hoje em dia isso não acontece mais. Até há
uma festa, mas nada que se compare àqueles anos", comenta.
Para
reviver esse tempo e mostrar a importância da festa, Maureen
abre hoje a exposição Yemanjá e os Orixás do Mar, Céu e
Terra, no Memorial. A fotógrafa esclarece que, no sincretismo,
Yemanjá é mais conhecida como Nossa Senhora da Imaculada
Conceição e recebe grandes homenagens em 2 de fevereiro.
"A festa praticamente pára a Bahia e é uma das mais importantes
para as religiões afro-brasileiras", completa. "Mas em São
Paulo, o dia 15 de agosto e o dia 8 de dezembro também sempre
foram dias de festas importantes."
As
imagens de Maureen revelam a grandiosidade da festa da rainha
do mar, mas não se esquecem dos detalhes importantes da
homenagem. Momentos de êxtase dos devotos são registrados
com fidelidade, sem apelar para a banalização do ritual
como mero espetáculo. "Com minhas fotos, sempre procurei
compreender a fé das pessoas e não apenas reproduzir a imagens",
explica a fotógrafa.
Para
acompanhar as 40 fotografias e aprofundar o tema, Maureen
selecionou textos do sociólogo Roger Bastide, extraídos
do livro As Religiões Africanas no Brasil. Além das imagens,
estarão expostas vestes de orixás, confeccionadas sob o
comando da mãe-de-santo Adelaide d´Oxum, estátuas de várias
entidades da umbanda e objetos-símbolos do culto aos orixás.
Vídeos que investigam a cultura africana também poderão
ser vistos pelos visitantes.
Yemanjá e Os Orixás de Mar, Céu e Terra. De terça a sexta,
das 10 às 16 horas; sábado e domingo, das 10 às 18 horas.Memorial
da América Latina. Avenida Auro Soares de Moura Andrade,
664, tel. 3823-4705. Até 30/9. Abertura hoje, às 10 horas.
Fonte: Jornal
Estadão
16/08/2001