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Centenário de Pierre Verger tem programação

Camila Molina

Salvador - Uma grandiosa e itinerante mostra de fotografias e objetos que passará pelo Rio, São Paulo, Brasília, Recife, São Luís, Belém e Salvador, durante este ano e o começo do próximo, fará parte das comemorações do centenário de Pierre Verger, fotógrafo, etnógrafo e historiador francês, que nasceu no dia 4 de novembro de 1902 e escolheu Salvador para viver mais de 40 anos.

Na capital baiana ele se dedicou a registrar e a pensar a cultura afro-brasileira. A programação, que inclui lançamento de livros e seminários, será iniciada em abril e foi anunciada nesta quarta-feira, no Museu de Arte Moderna (MAM) da capital baiana, pela fundação que leva o nome do etnógrafo. O evento, que contou com a presença de gente famosa como Zélia Gattai e Arnaldo Antunes, ocorreu no Solar do Unhão, construção que surgiu, no século 16, como engenho de açúcar e hoje abriga o MAM da cidade.

Verger saiu da França na década de 30 em viagem pelo mundo. Percorreu diversos países de todos os continentes com sua máquina fotográfica, sempre registrando povos, seus costumes, seus espaços e seus cotidianos. Foi só em 1946 que Verger se fixou no Brasil. Radicou-se na Bahia, mas não deixou de conhecer também os outros lugares do País. Por isso, a mostra, que reúne cerca de 800 fotografias mais desconhecidas feitas pelo francês, além de seus objetos particulares, traz os registros desses diversos lugares e foi pensada para passar nas cidades onde o fotógrafo tem um trabalho mais profundo. "São as sete cidades onde Verger fez uma grande produção fotográfica e, agora, a exposição quer devolver o olhar que Verger teve de cada um desses lugares", diz o curador Raul Lody.

Mas a programação também foi pensada para divulgar de uma maneira abrangente o trabalho e a obra do francês que fez tantas fotografias do País, mas que não é conhecido do grande público. Verger é mais conhecido por especialistas e também no seu continente de origem. "Essa exposição será diferente porque mostrará a pessoa Verger, não só suas fotografias já conhecidas", afirma o presidente da Fundação Pierre Verger, Gilberto Sá. Para tanto, estão previstas reedições de livros como Retratos da Bahia, de 1981, e ainda o lançamento de volumes com textos e legendas para as fotografias feitos pelo próprio Verger, além da publicação de sua correspondência.

A mostra traz uma seleção de imagens tiradas de um acervo de 62 mil negativos abrigados na Fundação Pierre Verger, localizada na casa onde o francês viveu a partir da década de 60. Primeiramente, será aberta no Rio, no dia 26 de abril. Segundo o cronograma, São Paulo receberá a mostra no dia 20 de junho, na sede da Fiesp. Depois, Pierre Verger será visto em Brasília (12 de setembro), Salvador (18 de outubro), Recife (5 de dezembro), São Luiz (31 de janeiro de 2003) e por fim Belém (18 de março de 2003).


Fonte: Jornal Estadão
24/01/2002