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Instituto Tomie Ohtake apronta inauguração
André Nigri
São Paulo - Os filhos bem que tentaram, mas não
deu tempo de homenagear a mãe no dia do seu
aniversário de 88 anos, comemorados no último
dia 21. Ficou para a próxima quarta a inauguração
de parte do Instituto Tomie Ohtake, o mais novo centro
cultural de São Paulo, localizado em Pinheiros,
em terreno localizado entre as avenidas Faria Lima
e Pedroso de Moraes.
Projetado por Ruy Ohtake e dirigido pelo irmão
Ricardo - ambos filhos de Tomie -, o espaço
integra um complexo que saiu do papel há três
anos com recursos do Grupo Aché, calculados
em R$ 100 milhões. Em maio deste ano, foi inaugurada
a primeira parte do complexo, um prédio de
seis andares de salas comerciais - todas elas ocupadas
por um escritório de advocacia. Uma torre de
22 andares, destinada a uso comercial, deverá
ser erguida e concluída até o fim do
ano que vem.
Mas é a área do centro cultural a menina
dos olhos do arquiteto Ruy. Das salas de exposição
às instalações de uma cafeteria,
tudo foi projetado por ele. O centro abriga oito galerias,
cinco salas de ateliê, uma sala de documentação
e um hall com restaurante, café, loja e livraria.
A artista-plástica Tomie Ohtake, a grande homenageada,
terá uma sala onde suas obras estarão
permanentemente expostas. Além disso, uma outra
galeria abrigará seus trabalhos da década
de 50 até hoje. Tomie pintou uma grante tela
de dez metros especialmente para o espaço.
Ao todo, 90 trabalhos seus poderão ser vistos
a partir de quarta-feira.
Em outra sala, a artista plástica mineira Rosangela
Rennó expõe uma instalação
(Hipocampo), a Série Vermelha que reúne
15 imagens de homens e crianças em poses e
uniformes marciais e uma vídeo-instalação
composta de duas telas de projeção simultânea.
A curadoria das exposições de arte é
de Agnaldo Farias, que será o responsável
pelas mostras do instituto.
Design e arquitetura não ficaram de fora da
programação de exposições
que inaugura na quarta. Em Singular e Plural, centenas
de objetos - como embalagens, móveis, livros
e capas de discos - retratarão a trajetória
do design industrial brasileiro nos últimos
50 anos.
Abrangência maior terá Arquitetura 3 Movimentos
- uma vídeo-instalação inspirada
nas arquiteturas carioca, paulista e contemporânea
- que percorrerá mais de 60 anos da história
da arquitetura urbana no Brasil. O ciclo de exposições
se fecha com a Mostra de Vídeo de Arte e Sobre
Artistas, filmes projetados em uma sala ovalada com
projeções silmutâneas.
Contemporaneidade é a senha do Instituto Tomie
Ohtake. "Foi uma forma de homenagear a artista,
que começou sua carreira na segunda metade
do século, e de refletir sobre arte e cultura
do momento", diz Ricardo Ohtake.
Em meados do ano que vem, estará concluída
a segunda e última parte do centro cultural:
um teatro com capacidade para 750 pessoas, com curadoria
de Emílio Kalil. O curador já acertou
com a coreógrafa americana Trisha Brown a realização
de um espetáculo em homenagem a Tomie para
inaugurar a sala. Para dar suporte ao público,
o hall, que tem comunicação com o prédio
de escritórios, será equipado com uma
livraria, um café e um restaurante.
Operação Faria Lima - Outra preocupação
dos irmãos Ohtake foi com o acabamento e funcionalidade
das instalações. Ruy optou, por exemplo,
por paredes de madeira, pintadas de branco, dada a
maleabilidade do material. No chão, concreto
com pó de quartzo para manter a discrição
e não interferir nas obras expostas. As instalações
elétricas também foram objeto de cuidado.
Os fios correm por canaletes com tampas e ficam ocultos.
Para dar mais conforto aos usuários, foram
planejados dois estacionamentos. O primeiro, com 700
vagas, está pronto para a inauguração
na próxima semana.
O Instituto Cultural Tomie Ohtake ocupa 12 mil metros
quadrados. O terreno pertence ao Grupo Aché
e situa-se na área de zoneamento da Faria Lima.
A legislação para construções
na região foi elaborada durante a gestão
do prefeito Paulo Maluf e tornou-se conhecida como
Operação Faria Lima. Trata-se, como
explica a arquiteta e diretora do movimento Defenda
São Paulo, Regina Monteiro, de uma legislação
de exceção, feita para atrair investimentos
no entorno da então recém-aberta Avenida
Nova Faria Lima.
Fonte: Jornal Estadão
26/11/2001
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