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Tintin faz 75 anos e a Europa rende homenagens
AE-AP
Na Bélgica, terra natal do intrépido Tintin, foi
lançada uma moeda de € 10. Lá
e no resto do continente, o personagem dos quadrinhos
ganha exposições e especiais em
jornais

/AP
Bruxelas - O intrépido Tintin faz 75 anos
neste sábado. O jovem jornalista, personagem
de quadrinhos criado pelo cartunista belga Herge
em 1929, faz sucesso até hoje e tem um
histórico de fascinar leitores de várias
gerações com suas aventuras ao redor
do mundo. Entre as várias homenagens, o
repórter terá sua própria
moeda de 10 euros (foto), cunhada e apresentada
nesta quinta-feira em Bruxelas.
Esta é a homenagem oficial, com a pompa
que os 75 anos de um personagem europeu à
altura de um Mickey Mouse merece. Mas haverá
outras. Na Bélgica, dois jornais terão
suas edições de sexta-feira totalmente
ilustradas com histórias de Tintin e seu
fiel cachorro Milu. Na França, o jornal
Le Figaro vai publicar, também na sexta-feira,
um especial sobre Tintin com 114 páginas
e 250 ilustrações.
"Não se esqueça de que Tintin
era um jornalista", diz Ivo Vandekerckhove,
editor do jornal Het Belang van Limburg. "Ele
nasceu em um jornal, é feito para eles".
Tintin apareceu pela primeira vez no jornal Le
XXme Siècle, de Bruxelas, em 10 de janeiro
de 1929. E nunca mais deixou de ser lido por uma
legião de fãs. A turma que lia Tintin
já nos últimos anos da década
de 20 era heterogênea. Suas aventuras seduziam
de filhos de trabalhadores a filhos da realeza.
Os jornais de hoje na Bélgica trazem uma
foto do Rei Alberto II ainda criança folheando
um álbum de Tintin.
Nos 23 álbuns que Herge produziu para
seu personagem, Tintin rodou o mundo fazendo coisas
que hoje podem soar anacrônicas ou mesmo
incorretas. Mas que, por seu sentido de heroísmo
e coragem, ainda agrada a quem se liberta de preconceitos
para ler uma obra de quadrinhos feita antes de
haver TV sobre o planeta.
Primeiro, ele foi para a "terra dos Sovietes"
para pôr aqueles malditos comunistas no
seu lugar. Depois, foi ajudar a espalhar os domínios
coloniais de seu país no Congo Belga. Aí,
se dirigiu a Chicago onde encarou o crime organizado.
Ainda antes da segunda Guerra Mundial, esteve
no Egito, Índia e China. Tintin vistava
o mundo, e o mundo começou a virar os olhos
para o belga e seu cachorro. Seus álbuns
venderam mais de 200 milhões de cópias
e foram traduzidos para 55 idiomas.
Ele virou um ícone belga, embora os belgas
tenham a sensação de que os franceses
sempre quiseram tomar para si a paternidade do
personagem. "Tintin é uma pessoa muito
importante não apenas na Bélgica,
mas ao redor do mundo", disse o ministro
das Finanças belga Didier Reynders. Além
do lançamento da moeda de 10 euros e dos
jornais comemorativos, haverá exposições
sobre Tintin também na Holanda, Espanha
e Inglaterra.
Jornal Estadão
09/01/2004
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