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Morre o pintor Thomaz Ianelli
São Paulo - O pintor Thomas Ianelli morreu hoje às 7h30, em São
Paulo, de embolia pulmonar. Ele estava internado desde o dia 13
por conta de uma cirurgia no coração e estava em recuperação no
Incor. Ianelli tinha 69 anos e preparava uma grande retrospectiva
dos 50 anos de pintura para 2003. O velório estava marcado para
começar às 15h, no Cemitério da Vila Mariana.
Ianelli preparava grande retrospectiva para 2003
Morreu hoje, aos 69 anos, um dos maiores pintores e aquarelistas
brasileiros. Com 48 anos de carreira e uma dedicação impressionante
à arte, Thomaz Ianelli foi surpreendido por uma embolia pulmonar,
que o acometeu ainda no hospital, onde se recuperava de uma cirurgia
cardíaca. Operado no dia 13, ele continuou produzindo como sempre,
transformando a mesinha de apoio numa paleta de cores e o quarto
hospitalar numa pequena galeria. Às pinturas produzidas nesse período,
ele deu o título geral de Delírios de uma Internação Forçada.
Dentre os projetos que Ianelli vinha desenvolvendo nos últimos
tempos estão a realização de uma grande retrospectiva de sua obra
em 2003, quando completaria 50 anos de pintura. Foi na década de
50 que começou a freqüentar o ateliê de seu irmão mais velho, Arcângelo
Ianelli, e em 1953, quando já trabalhava com desenho publicitário,
começou a estudar com Angelo Simeone na Associação Paulista de Belas
Artes. O engajamento com o grupo Guanabara veio em 1958, participando
nesse mesmo ano da mostra coletiva do grupo. Em 1960 ele realiza
sua primeira individual.
Os planos para a realização da retrospectiva ainda estavam incipientes,
mas a idéia era realizá-la na Pinacoteca do Estado, onde ele promoveu
a sua última mostra no País, conta uma das produtoras do evento,
Debora Ivanov. Quando foi acometido por um enfarte, há cerca de
20 dias, o artista estava prestes a viajar para a Europa, onde realizaria
exposições na Espanha e na Itália. Outra iniciativa com a qual vinha
colaborando com interesse era a realização de um documentário sobre
sua obra, de autoria de Carlos Cortez. No início do ano, o artista
retratou a Estação da Luz a convite do jornal O Estado de S.
Paulo, num evento em comemoração aos 447 anos de São Paulo.
A grande marca de Ianelli é o caráter absolutamente autêntico de
sua obra. Sem fazer concessões a modismos, escolas ou novidades,
ele conquistou de forma discreta uma admiração unânime de colegas
e críticos. "Para mim, ele era o artista puro. Era uma pessoa que
resistia a qualquer influência, tinha a coragem de fazer o que queria",
destaca Amélia Toledo.
Além de lidar com as cores como poucos no País e de demonstrar
na aquarela toda sua excelência técnica e um lirismo contagiante,
ele buscava nas mais diferentes linguagens explorar o caráter sensível
da obra de arte. Como resumiu o crítico Olívio Tavares de Araújo,
ele foi um pintor clássico, se levarmos em conta que sua arte era
feita de cor, gesto e forma, as matérias-primas por excelência da
pintura.
Ianelli passou incólume pela eterna disputa entre a figuração e
a abstração, atuando no limite entre os dois. Sua obra é repleta
de simbolismos, de figuras que se desvelam aos poucos aos olhos
do espectador. A cor é um elemento essencial de seu trabalho, mas
isso não diminui o cuidado com o desenho e com o jogo gráfico e
o movimento das linhas - presente até nos objetos e assemblages
que criava. Seu gesto era absolutamente pessoal, delicado, marcado
por um toque de hesitação absolutamente deliberado. "Era um dos
últimos pintores que acreditava - como eu acredito - na validade
intemporal e supratemporal da pintura. Nenhuma técnica morre. Nenhuma
arte morre. Tudo se transforma", conclui Araújo.
Esse lado lírico e um tanto quanto ingênuo da obra de Thomaz Ianelli
é ressaltado pela historiadora de arte Vera d´Horta. "É um dos nossos
artistas mais interessantes, que conseguiu trazer para a sua arte
as cores do mundo infantil. Ao mesmo tempo, foi um dos maiores coloristas
que o Brasil já teve. Sua poética era muito delicada. Era um pintor
sem obviedades, de delicadezas e sutilezas."
Fonte: Jornal Estadão
25/09/2001
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