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Siron Franco vai à luta contra a falsificação
de arte
Ubiratan Brasil
O artista, alvo de constantes clonagens, é
ouvido hoje no Senado a respeito da legislação de
direitos autorais. Segundo levantamento, falsificam-se cerca de
650 quadros por ano entre SP, Rio e BH

São Paulo - O artista plástico Siron
Franco pretende iniciar hoje uma luta em defesa do direito autoral.
Pela manhã, ele é ouvido pela Comissão de Educação
do Senado, em Brasília, convidado pela senadora Íris
de Araújo (PMDB-GO). "Espero colaborar para a criação
de uma legislação mais incisiva contra os falsificadores",
comenta Siron, cuja obra tem sido alvo de constantes clonagens.
"Nossa intenção é realmente criar meios
para melhorar a legislação", atesta a senadora,
lembrando que atualmente somente o Código Civil e a Lei de
Direito Autoral regulamentam a ação contra os falsificadores.
"E, mesmo assim, é preciso que seja caracterizado o
flagrante da falsificação."
A audiência será acompanhada também pelos senadores
Édson Lobão e Romeu Tuma, que também atuam
na área. "Convidamos Siron por ele ter sido alvo constante
de falsificações", comenta Íris. De fato,
o artista tem recebido constantes chamados de marchandes e proprietários
de galerias para comprovar a autenticidade de obras. "Como
faz tempo que eu não exponho, os falsificadores têm
reproduzido meus trabalhos dos anos 70 e 80 e sempre a partir de
catálogos."
O problema é particularmente delicado para Siron, pois ele
acusa o irmão, Darci, de furto, falsificação
e venda de três obras. Ocorreu em maio do ano passado, quando
a ex-procuradora da República Nilma Maria Naves pagou R$
8 mil por objetos que, se verdadeiros, custariam muito mais. "Infelizmente,
tive de apresentar queixa na polícia contra o meu irmão,
pois a situação se tornou delicada", comentou
o artista.
Apesar da precaução de amigos, que temem uma represália
mais violenta dos falsificadores, Siron decidiu tornar público
seu protesto ao aceitar o convite da comissão do Senado.
"Se se ficar quieto, como fazem alguns, a situação
só piora." O quadro, de fato, não é favorável
- segundo levantamento conseguido pela senadora Íris de Araújo,
falsificam-se 650 quadros por ano na área correspondente
a São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Jornal Estadão
17/06/2003
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