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Sigmar Polke expõe no Paço das Artes
Maria Hirszman
Pequena mas abrangente seleção de trabalhos de um
dos mais renomados artistas contemporâneos alemães,
marcada pela sobreposição de vários elementos,
está no Paço das Artes
São Paulo - A mostra Sigmar Polke: Música de uma
Fonte Desconhecida, que o Paço das Artes exibe em parceria
com o Instituto Goethe, traz a São Paulo uma pequena mas
abrangente seleção de trabalhos de um dos mais renomados
artistas contemporâneos alemães. São 40 guaches,
pintadas por Polke em 1996 especialmente para esta exposição
itinerante, que revelam vários aspectos da produção
do artista, que desde a década de 60 vem desenvolvendo uma
obra bastante plural, marcada pelo que o crítico Bice Curiger
definiu como uma "espécie de curto-circuito visual".
Associando uma preocupação com questões inerentes
à pintura, como a cor, a composição da imagem
no espaço a uma operação de acúmulo
de referências, semelhante à da colagem e marcada pela
sobreposição dos mais distintos elementos da realidade,
Polke vai construindo uma obra repleta de referências que
o espectador tem de descobrir pacientemente. Além das imagens,
ele também lança mão do texto como elemento
de composição. Às vezes auxiliando a leitura,
outras vezes promovendo uma completa reviravolta semântica.
Enquanto um guache alegre e despretensioso, feito da contraposição
de fortes tons de verde e amarelo, recebe o título simpático
e coerente de Tem um Gosto Tão Bom de Primavera, outras obras
apelam para a crítica mordaz (Todo Alemão Possui,
do Ponto de Vista Estatístico, 10.000 Coisas) ou para o nonsense
(Alimentos Salgados demais Ficam novamente Comestíveis quando
Colocamos Folhas de Jornal embaixo do Tapete). O humor, aliás,
é uma das marcas registradas do artista.
Assim como Gerhard Richter, com quem fundou o movimento intitulado
Realismo Capitalista - proposta semelhante, mas crítica,
à da Pop Art americana -, Polke transita com tranqüilidade
entre a figuração e a abstração. "Eis
aqui um artista que não apenas pesquisa aquilo que o mundo
e a nossa coletividade oferecem em termos de imagem - Ele sente-se
ligado de forma absoluta a todas as forças por elas ativadas",
escreve Curiger no catálogo da exposição.
Retoma elementos da imprensa, reconstrói com paciência
a retícula de fotografias ou recria algumas imagens com traços
que remetem à idéia de bordado. "Sob muitos aspectos,
Polke é aquele artista que consegue incorporar em sua obra
um excesso de ´civilização´", conclui.
Borrões de tinta também estão presentes em
sua obra, mas com um significado completamente diferente ao adotado
pelo norte-americano Sidney Pollock. Enquanto um traduz uma ansiedade
incontrolável e agressiva, Polke "é lúdico
e permanece humilde em sua lealdade ao caráter artesanal
da execução", da mesma forma em que permaneceu
leal à pintura num momento em que a maioria bradava que essa
arte havia morrido.
Infelizmente, não poderemos ver nessa mostra as obras de
grandes dimensões desse artista célebre, que consegue
transitar por vários fenômenos da história da
arte, do Pop ao abstracionismo de tom barroco, tornando-o dessa
forma um pouco menos desconhecido do público brasileiro.
Serviço - Sigmar Polke - Música de uma Fonte Desconhecida.
De terça a sexta, das 11h30 às 18h30; sábado
e domingo,das 12h30 às 17h30. Paço das Artes. Avenida
da Universidade, 1, Cidade Universitária, São Paulo,tel.
3814-4832. Até 19/5
Fonte: Jornal Estadão
24/04/2002
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