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Romero Britto fatura alto no Brasil
Fernanda Nogueira
Dez anos depois de inaugurar seu estúdio-ateliê em Miami, e fazer
fama nos Estados Unidos e no mundo, Romero Britto, o mais pop dos
artistas plásticos brasileiros, acertou em cheio ao abrir uma filial
de sua galeria - a Britto Central (a pronúncia é em inglês) - em
São Paulo. Em um mês de funcionamento, a mais cara das obras em
exposição na galeria, Montreux Jazz Festival - encomendada
ao artista em 1999 pelos organizadores do festival - já foi vendida
por R$ 250 mil a um empresário paulista (que proibiu a divulgação
de seu nome).
Quem quiser ver a enorme tela, de 1,80 m x 2,70 m, precisa correr.
"Pedi para o comprador deixar aqui pelo menos mais um mês para que
outras pessoas tenham a oportunidade de vê-la", explica Bia Duarte,
sócia de Romero, que administra a galeria. Fizeram sucesso também
as serigrafias da série sobre Mickey Mouse - Mickey’s World,
Mickey’s Greatest Love, Britto Mickey Mouse - feita
para a Walt Disney Company, em 1997. As seis cópias trazidas para
São Paulo foram vendidas por R$ 4.700 cada, e já há fila de espera
de cinco pessoas para as próximas que chegarem.
O pernambucano, que vive em Miami desde 1986, ficou no Brasil apenas
dois dias antes da inauguração, em 15 de setembro, para ajudar na
montagem do espaço. "Não tinha clima para fazer festa por causa
do que aconteceu nos Estados Unidos, por isso simplesmente abrimos
a porta", explica Bia. Romero volta a São Paulo no começo de novembro
para lançar os biquínis, maiôs, camisetas, calças, camisas e bolsas
que criou para a Rosa Chá.
Pintura nos biquínis - A coleção vai estar à venda na galeria
e nas lojas da grife. Uma das imagens que serão usadas nos biquínis
faz parte da obra Cheek to Cheek, feita para a Associação Beneficente
de André Agassi. A galeria, na Rua Oscar Freire, tem área total
de 475 metros quadrados e pé-direito de 5 metros. A decoração, do
badalado João Armentano, é simples, em branco, preto, cinza e vermelho,
para não brigar com a mistura de cores fortes e alegres de Romero,
definida por críticos de arte como "neocubismo pop".
Além dos originais, serigrafias (a tiragem pode ir de 20 a 300
cópias) e esculturas, a galeria tem uma butique, onde estão à venda
objetos com preços mais acessíveis. O mouse pad é o artigo mais
barato da loja. Custa R$ 50. Mas há também gravatas (R$ 125), lenços
(R$ 50), latas (R$ 125) e livros – o Romero Britto Life sai por
R$ 115. A equipe de cinco vendedores recebeu um mês de treinamento,
para aprender tudo sobre a história e as obras de Romero Britto.
Em uma das paredes da loja há um painel com fotos de Romero sozinho
e acompanhado de famosos, como Bill Clinton, Elton John, Witney
Houston, Carlos Santana, entre outros para quem já vendeu seus quadros.
O presidente Fernando Henrique Cardoso, Madonna, Michael Jackson
e a rainha Silvia, da Suécia, também fazem parte dessa lista.
Próximo a algumas obras, como a serigrafia Educating the World
(R$ 3 mil), uma montagem com seis selos sobre educação, criados
para a Organização das Nações Unidas (ONU), ficam redomas de vidro
sobre aparadores com matérias de jornais e revistas repercutindo
o assunto.
A idéia de abrir uma galeria no Brasil nasceu há três anos, quando
Romero fez duas grandes exposições em São Paulo e no Rio de Janeiro
- O Pop de Romero Britto e Flying Fish & Britto Central,
respectivamente. Ainda este ano Romero vai assinar o projeto de
identidade visual do novo espetáculo do Cirque du Soleil, lançar
perfumes com sua grife e inaugurar um restaurante cinco estrelas
em Miami.
No primeiro semestre do ano que vem abre outra Britto Central,
desta vez em Londres. Aos 38 anos, Romero mantém um ritmo acelerado
de trabalho, mas já faz planos para quando se cansar. "Quero passar
a velhice pintando em frente a uma praia do Nordeste."
Britto Central - segunda a sexta, das 10 às 20 h, sábado,
das 10 às 18 h. R. Oscar Freire, 562, tel.: 3062-7350.
Fonte: Jornal Estadão
16/10/2001
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