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Rio programa o ano Portinari
Beatriz Coelho Silva

Governadora Benedita da Silva assinou decreto dedicando 2003 às comemorações do centenário do pintor paulista. Durante o ano todo, haverá oficinas e mostras de sua arte, que também será tema de documentário, livros e um balé

Rio - A comemoração do centenário de nascimento do pintor Cândido Portinari, que se completa em 29 de dezembro do ano que vem, já está definida. Ontem, a governadora do Estado do Rio, Benedita da Silva (PT), assinou decreto dedicando-lhe o ano de 2003, e divulgou a programação da Secretaria de Cultura do RJ para homenageá-lo. Durante todo o ano, serão montadas mostras com réplicas de seus quadros e oficinas de arte. Haverá também o projeto Estações Portinari, que a cada semana deixará estacionado nas estações da Flumitrens um vagão com uma mostra. O evento deverá ser levado também ao interior do Estado.

O Projeto Portinari, criado há 23 anos para preservar o acervo e a memória do pintor e que funciona desde então na PUC do Rio, também prevê uma série de mostras no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Paris e Nova York, livros, balé com música de Jacques Morelembaum e documentário dirigido por Belizário França.

Portinari viveu pouco (morreu em janeiro de 1962, pouco depois de completar 59 anos), mas produziu muito. Nascido em Brodowski, em São Paulo, aos 15 anos já era aluno da Escola de Belas Artes, no Rio, e em 1922, antes de completar 20 anos, já participava do Salão Nacional da instituição. Aos 24, foi morar em Paris e, de volta, aos 26 anos, teve a primeira retrospectiva no então recém-fundado Museu Nacional de Belas Artes. No ano seguinte, exporia no Museu de Arte Moderna de NY e, no outro, faria painéis para a Biblioteca do Congresso americano.

No Brasil, essa atividade já o consagrara, com a criação do painel de azulejos da sede do Ministério da Educação e Saúde (hoje Palácio Gustavo Capanema). É difícil apontar o que é mais importante, seus quadros e desenhos, como a série Retirantes, ou os murais como os da igreja da Pampulha (a Via-Sacra e São Francisco de Assis), em Belo Horizonte; no Colégio Cataguases, no Interior de Minas (Tiradentes, hoje instalado no Memorial da América Latina, em SP), ou Guerra e Paz, na sede da ONU, em NY.

O diretor da Bolsa de Artes, Jones Bergamin, é enfático. "Ele é o nosso artista mais valorizado desde os anos 70, quando o mercado se profissionalizou. No exterior, está para as artes plásticas como Villa-Lobos está para a música, é a maior referência brasileira."

A obra de Portinari destaca-se também pela quantidade, pois soma mais de 5 mil peças. "Ao lado de Lúcio Costa, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e outros modernistas, pensou o País e registrou nossa identidade. Seus quadros mostram como os brasileiros, trabalham, sonham, se divertem, brincam, como vivem, enfim", completa Belizário França. "O documentário, orçado na Lei do Audiovisual em R$ 700 mil, pretende mostrar, em uma hora, quem é esse personagem e como ele dialoga com o País. A programação do Estado já tem verba garantida para sua execução, mas a do Projeto Portinari, inscrita nas leis de incentivo à cultura, ainda dependem de patrocínio.

Fonte: Jornal Estadão
09/09/2002