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Restaurado, painel de Di Cavalcanti
é exposto no Rio
Beatriz Coelho Silva
A grande homenagem do pintor carioca Emiliano Di Cavalcanti
a seus conterrâneos, o painel Composição
Rio, volta a ser exibido ao público a partir
de hoje, no Centro Cultural da Light, depois de passar
por oito meses de restauração. A obra,
feita em 1952 por encomenda do jornalista Samuel Weiner,
para o saguão do jornal Última Hora,
tinha originalmente cinco obras de 2,40 metros por
1,55 metros cada uma, mas só quatro estão
na antiga sede da companhia de eletricidade, pois
a quinta se encontra hoje na Dan Galeria, de São
Paulo.
"Procuramos muito essa quinta obra, mas quando
a descobrimos, a sala onde o painel fica já
estava pronta. Trazê-la para o Rio não
está totalmente descartado, mas primeiro nos
preocupamos em recuperar as outras quatro e exibi-las
ao público", conta a gerente do Centro
Cultural, Luciana Mandarino. "A Light, por enquanto,
não tem idéia de montar um museu ou
sala de exposições porque possui poucas
obras de arte, que não chegam a constituir
um acervo. Esse painel, no entanto, é importante
para o Rio e dentro da produção de Di
Cavalcanti."
As cinco obras que constituem o painel mostram cenas
do Rio - o carnaval e o candomblé, a praia
e o subúrbio, as praças e os terrenos
baldios -, vistas por um personagem presente em todas
elas, misto de homem e espantalho, que pode ser o
carioca típico ou o jornalista que narra o
cotidiano da cidade.
Nos anos 70, quando o jornal começou a enfrentar
dificuldades financeiras, Weiner vendeu o painel à
Light, que o colocou no saguão de sua sede
central. Desde então, enfrentou intempéries
naturais e outras provocadas, como anotações
feitas por quem passava pelo local. "Também
foi preciso retirar pinturas feitas posteriormente,
em cima da original, que modificavam a obra do mestre",
diz a restauradora, Marly Oberlaender.
O painel foi também a contribuição
de Di Cavalcanti às idéias nacionalistas
defendidas pelo jornal Última Hora, criado
nos anos 50, para apoiar o presidente Getúlio
Vargas, que ocupava o cargo pela segunda vez, mas
agora por eleição direta. O jornalista
Joel Silveira trabalhava lá nessa época
e lembra que a obra inspirava os profissionais da
redação. "Os quadros sugeriam que
a reportagem também podia ser uma arte."
Fonte: Jornal Estadão
26/02/2002
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