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Renot abre hoje a agenda de leilões em
SP
Fausto Oliveira
São Paulo - O primeiro leilão de obras de arte de
valor significativo deste ano em São Paulo será realizado
hoje no hotel Intercontinental. O evento foi organizado pelo marchand
Reinaldo Marques, o Renot. Estarão à venda 144 obras,
a maior parte delas pinturas e gravuras, com cotações
que variam entre R$ 300 e R$ 95 mil.
Os destaques do leilão da galeria Renot são pinturas
a óleo sobre tela de Aldo Bonadei, Di Cavalcanti, Dario Meccati,
Clóvis Graciano e Rubens Gerchman. O quadro com lance mínimo
mais alto - R$ 95 mil - é Vaso de Flor, de Bonadei. Outros
artistas importantes estão representados no leilão,
como Rubens Gerchman, Mário Zanini, Cândido Portinari,
José Pancetti e Hector Carybé.
Inovações - O leilão da galeria Renot apresenta
algumas novidades ao mercado de arte brasileiro. Um deles é
a realização de leilões setoriais. "No
Brasil é comum fazer leilão de obras de arte junto
com objetos de prata, tapeçaria e louças. Isso é
um erro", diz Renot. Expor e vender apenas obras de arte, para
ele, é uma forma de segmentar o mercado e dinamizar as vendas.
"Na Europa e nos Estados Unidos, só há leilões
setoriais, porque afinal a pessoa não pode ser douta em prata
vitoriana e pintura moderna, por exemplo", afirma. No Brasil,
a Bolsa de Arte do Rio de Janeiro foi a primeira a separar os objetos
de leilões.
Outra iniciativa é a publicação do valor médio
de mercado de cada obra no catálogo do leilão. "Ao
lado da reprodução da pintura, eu escrevo dois valores,
entre os quais a obra deve se situar. Isso é a prática
honesta, feita em vários lugares do mundo, mas aqui no Brasil
ainda é uma coisa nova", diz Renot.
Mercado pequeno - O marchand se ressente do volume ainda pequeno
do mercado de arte no Brasil, e aponta várias razões
para isso. Uma delas é a falta de parâmetros do comprador.
Artistas novos não conseguem preços vantajosos e os
já consagrados têm seus trabalhos vendidos com pouco
ágio. Essa equação garante o lucro apenas para
o dono da obra à venda, que fica com 80% do valor do lance
mínimo. "O artista jovem consegue preços melhores
fora do País e vende lá fora", diz Renot.
Sem renovação, o mercado movimenta o mesmo time de
pintores que entraram para a história da arte no Brasil.
"E estes têm a maior parte de sua obra em mão
de colecionadores ricos que não as põem à venda",
diz Renot.
A concentração das grandes obras e a pouca renovação
da arte nacional provocam intervalos cada vez maiores entre os leilões.
"Há dez anos eu organizava um leilão por mês,
mas hoje eu consigo fazer só quatro por ano". Renot
diz que as obras disponíveis são pouco disputadas
e por isso o ágio obtido é pequeno, no máximo
de 4% (quando a média internacional é de 30%), o que
vem a desestimular as vendas, tanto de quem tem acervos de grandes
obras como de novos artistas. O saldo é que não se
formam novas coleções, e com isso a produção
e a exibição de novas obras ficam prejudicadas.
Outro problema que ele aponta são as falsificações.
Segundo Renot, o mercado de arte ainda não dispõe
de mecanismos de proteção contra quadros falsificados,
como os rasonet, livros que catalogam toda a obra de um artista.
Em países da Europa e nos Estados Unidos, o rasonet prova
a autenticidade da obra. "Por falta de proteções
como essa, vende-se muito quadro falsificado no Brasil."
Hotel Intercontinental: Alameda Santos, 1123. Tel: 3179-2600. A
partir de 21h.
Fonte: Jornal Estadão
18/03/2002
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