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Renoir é sucesso de público
Maria Hirszman
São Paulo - Em seu dia de abertura, a exposição
Renoir - O Pintor da Vida confirmou que tem tudo para tornar-se
um dos grandes sucessos de público de 2002. Antes mesmo de
se abrirem os guichês da bilheteria, já havia cerca
de cem visitantes (metade deles escolares, organizados em grupos
de visita monitorada) esperando para ver de perto a obra de um dos
mais destacados mestres do impressionismo.
Mesmo que sem o frisson verificado em outras exposições
do gênero, como o megaevento organizado em 1997 pelo mesmo
Masp em torno de Monet, a mostra de Renoir é vista como uma
atração imperdível por uma ampla gama de pessoas.
Na noite de estréia, segunda-feira, 1,6 mil convidados foram
ao Masp. Até as 14 horas de terça, 1.516 visitantes
já haviam entrado no museu.
Interesse em conferir uma das programações mais destacadas
pela mídia, curiosidade em ver de perto a obra do grande
pintor ou simples coincidência, são alguns dos motivos
alegados pelos visitantes que se encontravam no Masp no primeiro
dia e na primeira hora de abertura da exposição. Mas,
por trás de todas as explicações apresentadas
à reportagem, destacou-se sempre o desejo de aprender mais
não apenas sobre Renoir, mas sobre arte em geral.
É o caso, por exemplo, do pintor Sergio Fanelli. Um dos
primeiros da fila, ele conta que se sentiu excitado como uma criança
à espera do programa do dia seguinte. Admirador não
apenas da obra do pintor francês, mas também de sua
personalidade - que conheceu a partir da leitura de biografias,
entre elas a escrita pelo filho do artista e cineasta Jean Renoir
-, ele gostou de poder ver outras obras do artista que não
as 13 que pertencem à coleção do Masp, que
admira e visita com freqüência. Apesar de esperar um
número maior de trabalhos e de ter terminado a visita com
vontade de ver mais obras do pintor, ele gostou muito do que viu.
"Ao vivo é completamente diferente. Ele realmente faz
a pessoa viajar, embriaga mesmo", resume.
Paulo Pasta, um dos mais renomados pintores brasileiros da atualidade,
também estava presente na exposição logo na
abertura, acompanhado por seus alunos, do curso de pintura da Faap.
A escolha da mostra de Renoir foi uma coincidência. A idéia
era ir à Bienal, mas pela manhã o evento só
abre para escolas. "Estamos dando ênfase à construção
do espaço pictórico, mostrando como em Cézanne
você não sabe onde começa a linha e termina
a cor." A relação com Cézanne se explica
pelo fato de a mostra colocar em destaque, logo no início,
a obra de contemporâneos de Renoir que pertencem ao acervo
do Masp, algo que agradou muito a Pasta. "Tenho uma relação
muito forte com o acervo, que me formou e é interessante
ver as obras inseridas nesse novo contexto", afirma.
Segundo a professora Alessandra Lombardi, que acompanhava um grupo
de alunos da 4.ª e 5.ª série da escola Montale,
esse exercício de observação é vital
para que se possa fazer arte. "Sempre digo a eles que não
dá para fazer arte sem ver arte", diz ela, que tem especial
fascínio pelo impressionismo. Nessa visita, o objetivo é
enfocar a questão da pincelada, mostrar às crianças
que elas podem soltar a mão, que não precisam se ater
à precisão do desenho. Outra coisa importante é
que as crianças percebam a quantidade de tempo e esforço
necessário para produzir essas obras-primas. "Elas são
muito imediatistas e é um aprendizado saber que tudo não
precisa ficar pronto em meia hora." Ela não acredita
que a mostra se torne o mesmo fenômeno que a exposição
de Monet, mas acha isso positivo. "Aquilo foi um chute inicial,
que criou essa vontade de ver isso tudo, mas hoje o público
está mais amadurecido", explica.
Os pais também desempenham um papel importante nesse processo
de aprendizado. O advogado e professor Luiz Falavina, que vive com
a família em Arraial d´Ajuda (Bahia) aproveitou que
estava em São Paulo e trouxe os quatro filhos (de 6 a 16
anos) para visitar a exposição e chegou a propor um
desafio para os dois mais velhos: um concurso de redação
para que eles coloquem no papel sua impressão sobre a mostra.
Jerônimo, o primogênito, parece inclinado a escrever
sobre o exercício da pintura ao ar livre.
Outra família também aproveitou o programa juntos.
Mas os Santos estavam realizando sua primeira visita ao Masp, aproveitando
que o pai, Joaquim, está numa cadeira de rodas, recuperando-se
de um problema na perna. "Tendo quem me empurre, está
bom", afirmou o comerciante português, que olhava atentamente
cada uma das obras e comentava detalhadamente com a filha Sandra
e a mulher, Preciosa.
Muitos dos visitantes do primeiro dia estavam ali no Masp por coincidência
ou aproveitando a oportunidade surgida em meio a outros compromissos.
Um empresário carioca chegou a pedir que não tivesse
sua identidade revelada, pois estava "fugindo" de uma
reunião de negócios para admirar um pouquinho de Renoir.
A aposentada Maria Irene Monteiro Magalhães mora em Brasília
e não quis perder a oportunidade de jeito nenhum.
O caso de Rowan Plinston, de 20 anos, é ainda mais curioso.
A jovem inglesa, que estuda artes em seu país, mas está
viajando pelo mundo em companhia de uma amiga, decidiu fazer algo
cultural e foi parar no Masp bem no primeiro dia e primeira hora
da mostra. "Foi uma feliz coincidência", comenta
a estudante lamentando, no entanto, sentir falta de um pouco de
arte brasileira.
Serviço - Renoir - O Pintor da Vida. De terça a domingo,
das 11 às 18 horas. De R$ 5,00 a R$ 10,00. Agendamento pelo
tel. 283-2585. Masp. Avenida Paulista, 1.578, São Paulo,
tel. 251-5644. Até 28/7
Fonte: Jornal Estadão
24/04/2002
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