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Um museu com recheio saboroso

Camila Pohlmann, com informações do jornal O GLOBO

Pêra na cesta de biscoito

Para incrementar a visitação do museu mais bonito da cidade, nada melhor do que uma promoção. Afinal de contas, gastar dinheiro com arte acaba ficando em segundo plano nesses tempos de vacas magras. Principalmente depois das festas, quando quase todo mundo gasta mais do que deveria, visitar o Museu de Arte Moderna (MAM) e pagar só R$ 4 é um programão. Saber que com essa mesma quantia é possível visitar cinco exposições é melhor ainda. Descobrir que o belo prédio de Affonso Reidy tem muito mais do que isso a oferecer, então, é uma surpresa deliciosa.

Para visitar as salas de exposição é bom reservar pelo menos duas horas. A programação é extensa e tem muita coisa para ver. Para quem estiver com o tempo contado, a dica é dar preferência às mostras que sairão de cartaz em uma semana.

Três exposições temporárias terminam em janeiro

No domingo, dia 6, quem se despede é a mostra "Gilberto Chateaubriand: aspectos de uma coleção", montada no terceiro andar da casa. Panorâmica da coleção que integra, em regime de consignação, o acervo do museu, a exposição traz obras realizadas entre a primeira década do século passado e os dias de hoje. Entre os modernistas, Tarsila do Amaral, José Pancetti, Ismael Nery e Lasar Segall. Entre os mais recentes, o que se vê é um diálogo entre trabalhos de artistas como Antonio Manuel, Hélio Oiticica e de outros mais novos como Rosângela Rennó, Sandra Cinto, Marcelo Solá e Cabelo.


Na próxima sexta-feira, dia 10, a exposição ''Presença modernista - Coleção internacional MAM'' também sai de cena. Outro arranjo de peças do acervo, reúne trabalhos de artistas como Rodin, Henri Moore e Sérgio Camargo. Os destaques são ''Mademoiselle Pogany'', de Brancusi - a peça mais cara do acervo - ''Nº 16'', de Jackson Pollock, e ''Quatro figuras sobre uma base'', de Giacometti.


No dia 20, termina "Aquisições essenciais", que expõe as obras adquiridas recentemente pelo museu. Compradas com o patrocínio da Petrobras, peças dos neoconcretos Hélio Oiticica, Décio Vieira e Ivan Serpa, que deixam mais completo o acervo do museu, grande berço do movimento. Segundo o curador Fernando Cocchiarale, o pacote de obras preenche lacunas da coleção quanto ao período construtivista brasileiro, completando ainda seu acervo com instalações históricas de artistas contemporâneos.

Outra atração do museu é a "Objetos bioconcretos", do jovem Franklin Cassaro. Em cartaz até o dia 3 de fevereiro, a mostra expõe esculturas, instalações e um abrigo inflável, chamada Ocaôca, feita de jornal, com cerca de 20 metros de comprimento por 12 metros de largura, na qual o público pode entrar. Cassaro se apropria de elementos do cotidiano como jornais, borrachas, travesseiros, papel alumínio, tampas, latas e outros materiais na confecção de suas peças.

Ainda que exposta no MAM em caráter quase definitivo (isto é, sem data para terminar), a obra de Lygia Clark vale a visita. Lá estão "Campo de mina" e "A casa é o corpo", duas divertidas obras interativas da artista.

Novo restaurante e um café incrementam o dia

Em franco processo de revitalização (o incremento no acervo e o anúncio da construção da Sala Rio, para concertos, são exemplos dessa novoa fase), o MAM abriga, desde maio do ano passado um restaurante de respeito. O nome da casa, no belo terraço e com uma linda vista, é uma brincadeira sonora, mas o que está por trás do novo restaurante do MAM, o Le Mans, não pode ser mais sério. A começar pela dupla Ana Luiza Godoy e Sonia Tolipan, que hoje está à frente de três cafés - o Domitila, no Museu do Primeiro Reinado; o Academia, na Academia Brasileira de Letras; e o café do Museu de Arte Moderna - do Bistrô da Casa, na Casa França-Brasil e do restaurante Le Mans. A seriedade também está no fato do novo espaço, que estava fechado há quase um ano, contar com o chef francês Claude Lapeyre - que assina o cardápio do Bistrô da Casa - na cozinha.

Para o Le Mans, ele criou pratos franceses com ingredientes bem brasileiros. E o melhor: a preços acessíveis. Blinis de mandioca com salmão defumado (R$ 8,50), vermelho grelhado com funcho e molho de erva-doce (R$ 21), perdiz com pimenta-rosa e palmito (R$ 20). Entre as sobremesas caprichosas, destaque para a pêra na cesta de biscoito (R$ 7), a nossa foto da capa. Aos sábados, o restaurante abre exclusivamente para servir um cassoulet fidedigno, com carneiro, perna de pato confit, paio, bacon e mocotó.

No charmoso Café do MAM, mais baratinho, o melhor é comer ao ar livre. O cardápio inclui refeições, como o brasileiríssimo picadinho meia-noite (iscas de filé mignon ao molho madeira, arroz, milho verde na manteiga e ovo pochê), a R$ 13. Há também saladas (a caprese custa R$ 9) e lanches rápidos, como o sanduíche de rosbife com mostarda de Dijon (R$ 6,50) e o carpaccio de carne com rúcula (R$ 7).


Para os consumistas, que não conseguem fazer um programinha sem levar um suvenir para casa, há a lojinha da Livraria da Travessa, instalada logo na entrada do prédio principal, em frente à bilheteria. Não há catálogos sobre as mostras (o museu distribua gratuitamente folders sobre todas elas). Mas há livros de arte e peças inspiradas na obra de Lygia Clark, como as almofadas sensoriais (infláveis e com bolas de tênis dentro), que custam R$ 28. As camisetas saem a R$ 23. No mais, é uma pequena amostra dos estoques da matriz da loja, em Ipanema.

É sempre bom ter atenção ao programar o passeio. Há poucas linhas de ônibus que dão acesso ao museu e para atravessar as pistas do Aterro é preciso passar pela passarela que liga o MAM à Cinelândia. Todo cuidado é pouco, porque acontecem muitos assaltos no local. O museu tem um estacionamento pago, que costuma ter vagas disponíveis durante todo o dia.

'FRANKLIN CASSARO - OBJETOS BIOCONCRETOS', 'AQUISIÇÕES ESSENCIAIS', 'GILBERTO CHATEAUBRIAND ASPECTOS DE UMA COLEÇÃO', 'PRESENÇA MODERNISTA', 'LYGIA CLARK' Museu de Arte Moderna: Av. Infante Dom Henrique 85 — 2240-4944. Ter a sex, de meio-dia às 18h. Sáb, dom e feriados, das 13h às 19h. R$ 8. Qua, ingresso a R$ 4. A bilheteria fecha meia-hora antes do salão de exposições.

LE MANS Avenida Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo. Telefone: 2220-2295. Funciona de segunda a sábado, do meio-dia às 19h. C.C.: V.


Fonte: OGlobo
02/01/02