|
Quaglia, 50 anos de Arte no Museu Nacional de
Belas Artes
Será lançado, dia 30, durante um coquetel no Museu
Nacional de Belas Artes, o livro "Quaglia - 50 anos de pintura",
editado pela Paper Mill e com apresentação do poeta
Ferreira Gullar. O livro, com texto de Mario Margutti, mostra a
trajetória do artista, com 200 reproduções
de importantes obras de coleções particulares.
O lançamento terá como palco a Sala Henrique Bernardelli,
do MNBA,. onde o público poderá admirar um conjunto
selecionado de 50 pinturas e trabalhos gráficos que seduziram
poetas como João Cabral de Mello Neto, Carlos Drumond de
Andrade e Manoel Bandeira e o cronista Rubem Braga, que diziam ser
João Garboggini Quaglia um dos grandes pintores de sua geração.

Radicado em São João Del Rey, Quaglia nasceu em Salvador,
em 1928, de lá saindo aos 28 anos, premiado no 7º Salão
Nacional de Arte Moderna com o Prêmio de Viagem, para ganhar
o mundo e, principalmente, a Espanha, onde expôs litografias
da série "Touromarquia", com elogios do diplomata
e pintor João Cabral de Mello Neto. Em 1959 retornou ao Brasil,
para participar da 5ª Bienal de São Paulo.

Entusiasmado com a arte de Quaglia, Manoel Bandeira convidou-o
para ilustrar um dos seus livros de poesia. E foi com o mesmo entusiasmo
que outro poeta maior, Carlos Drumond de Andrade, reverenciou-o
com um de seus textos, para, mais adiante, Rubem Braga afirmar:
"Quaglia é hoje um dos melhores pintores do Brasil...Seus
quadros não descrevem sonhos, não protestam, não
propõem, não conceituam nada, nem procuram agradar.
Eles nos dão, entretanto, uma emoção que não
é literária, não é musical, nem filosófica:
a específica emoção da boa pintura".

Esta é a quarta vez que o MNBA abre suas portas à
Quaglia. Em 1966, com apresentação do crítico
Antônio Bento, expôs "As Lamentações";
em 1974, com marcante presença na sala de exposições
temporárias, depois de ter sua obra "Figuras",
pertencente ao acervo do MNBA, mostrada numa exposição
em 1971.

Depois de um período no Rio de Janeiro, seguiu o Rio Grande
do Sul, onde fundou a a Escola de Desenho da Universidade de Santa
Maria. Da cidade gaúcha, o pintor, litógrafo e mestre
retornou ao Rio de Janeiro, viajando para mostrar seus trabalhos
no México e Marrocos.
De volta ao Brasil dividiu-se entre a arte e o mestrado na Universidade
Federal do Rio de Janeiro, instalando-se definitivamente em São
João Del Rey, onde se mantém ativo pintando e dedicando-se
a organização de festivais de Cultura em cidades históricas
de Minas Gerais.
24/10/2002
|