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Exposição dá a largada para
centenário de Portinari

São Paulo - A Pinakotheke Cultural chega a
São Paulo em grande estilo, iniciando nesta quarta suas atividades
permanentes na cidade com uma exposição de Cândido
Portinari, exposição essa que antecipa em alguns meses
o início das comemorações do centenário
de nascimento do pintor de Brodósqui, que será celebrado
em 2003. Não se trata de uma mostra retrospectiva, mas de
uma saborosa seleção de trabalhos, escolhidos em mais
de 12 coleções diferentes, que falam muito da vida
e da obra do artista.
Para marcar essa preferência pelas obras de caráter
mais autobiográfico, abre a exposição um auto-retrato
pintado por Portinari em 1956 (sete anos antes de sua morte, um
tanto prematura, em decorrência da contaminação
pelas tintas que utilizava), com uma dedicatória para seu
médico pessoal. Também estão dispostos nesta
introdução retratos da mulher, dona Maria, do filho,
João Cândido, da irmã, Olga, e da neta, Denise.
Além do caráter pitoresco explorado por esse viés
mais pessoal, esse hall familiar (que ainda tem como adendo uma
pequena galeria de retratos de amigos, com belos desenhos de personalidades
como Mário de Andrade, Ismael Nery e Fujita) permite que
se tenha uma idéia da diversidade de estilos adotados pelo
pintor ao longo de sua bem-sucedida carreira. Do retrato de caráter
futurista de dona Maria à bela imagem do rosto de Denise
sobreposto a um fundo colorido com tratamento cubista há
uma longa e saborosa distância.
Mas nem só de obras de forte significado autobiográfico
é feita a exposição. Há entre as obras
selecionadas trabalhos de grande importância para a compreensão
de um dos temas centrais de Portinari, que soube como nenhum outro
fazer um retrato pungente e singelo da miséria no País.
Não é à toa que seu filho doou, em nome do
Projeto Portinari, o direito de reprodução de algumas
telas do artista como contribuição ao mutirão
contra a fome que está sendo arquitetado pelo novo governo
eleito.
As obras feitas pelo artista para ilustrar o livro Maria Rosa e
os estudos para importantes trabalhos, como os painéis Guerra
e Paz, são alguns dos pontos altos. Mas talvez o principal
destaque da mostra seja As Moças de Arconzelo, uma cena comovente
de três meninas-moças negras, com seus trajes de domingo,
conversando e admirando a vasta paisagem do sertão. "Fazia
30 anos que essa tela não era exposta", conta o dono
da Pinakotheke, Max Perlingeiro, acrescentando que passou seis meses
tentando convencer seu proprietário a emprestá-la.
"Isso porque era um amigo. Imagine se fosse um estranho",
brinca.
Perlingeiro, no entanto, já está mais do que acostumado
a lidar com colecionadores, já que esta é uma das
missões centrais de sua empresa, que possui braços
em Fortaleza e no Rio. Em ação desde 1980, essa empresa
de nome pomposo é especializada na gestão de acervos
e na produção de livros e exposições
de arte. A Fundação Roberto Marinho esteve entre seus
ilustres clientes por cerca de 12 anos. Atualmente, oito grandes
coleções estão sob os cuidados da Pinakotheke.
Uma das preocupações centrais de Max Perlingeiro
é o setor de arte-educação. Daí a preparação
de um esquema de monitoria especial para receber as visitas agendadas
à exposição de Portinari. Dentro dos limites
físicos da mostra - afinal, trata-se de uma galeria de dimensões
relativamente modestas, localizada no prédio que também
abrigará os serviços administrativos da empresa, no
Real Parque -, ele pretende receber um grande número de interessados,
preferencialmente da rede pública. Também será
lançado um catálogo com mais de 100 páginas,
também com uma versão virtual.
Trata-se de uma bela maneira de aprender um pouco mais sobre a
obra de Portinari, que com mestres como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti
(coincidentemente lembrados por exposição no Museu
de Arte Moderna), contitui a base da arte moderna brasileira.
Candido Portinari - De segunda a sexta, das 10 às 20 horas;
sábado, das 10 às 16 horas. Pinakotheke São
Paulo. Rua Ministro Nelson Hungria, 200, São Paulo, tel.
3758-5202. Até 25/1. Abertura amanhã às 20h30
Fonte: Jornal Estadão
18/11/2002
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