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Poemas escritos na argila

 

Catálogo da exposição


Há 30 anos, Heloísa Alvim costuma conta muitas histórias por meio de seus trabalhos em cerâmica. Para comemorar a data, a artista mostra 30 objetos na exposição “Quarup”, na galeria Lana Botelho, na Gávea, em cartaz até o dia 5 de outubro. Apesar da inspiração indígena que sua obra transmite, Heloísa descarta que ela se resuma a essa característica.


— Sempre me inspiro no ser humano, em pessoas. Na cerâmica, registro o que sinto e as experiências que tenho. Essa exposição bem poderia se chamar “Poema de pedra” — conta Heloísa.


A simplicidade nas formas e o registro de linhas e pontos na superfície dos objetos em muito lembram as cerâmicas produzidas por sociedades primitivas.


Para produzir essas peças, Heloísa dispensou o torno — instrumento de madeira ou aço usado para dar forma às cerâmicas — e usou a pressão dos polegares para moldá-las.


Os traços desenhados sobre a superfície dos objetos também passaram por um trabalhos processo, na qual Heloísa preencheu o riscos e pontos com uma argila de cor diferente. Os desenhos formados por eles ficam a critério da imaginação do público, que poderá ver neles animais e até paisagens.


— As imagens são nada mais que arquétipos presentes na mente do ser humano — diz.


HELOÍSA ALVIM, ‘QUARUP’ Lana Botelho Artes Visuais — Rua Marquês de São Vicente 90 térreo 101, Gávea — 2521-9841. Segunda a sexta, das 16h às 19h30m. Até 5 de outubro.

Fonte: Jornal O Globo
24/09/2001