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A arte como ela não é, mas bem que
poderia
Clarisse Meireles

Uma peça sobre a história da pintura tinha tudo para
ser chaaata até dizer chega... O premiado autor e
diretor João Brandão, no entanto, inventou de contar
a história das artes plásticas, desde o tempo das
cavernas até o pós-modernismo, através do humor. A
divertida comédia "Los Pintores" estréia amanhã, às
21h, inaugurando um novo palco na cidade, o Teatro
Belas Artes, no segundo andar do Museu Nacional de
Belas Artes, na Cinelândia.
A idéia nasceu dentro das salas de aula do tablado,
onde João dá aulas para adolescentes há 14 anos e
onde conheceu os jovens atores do elenco, formado
por Miguel Thiré, neto de Tônia Carreiro e filho de
Cecil Thiré, Leandro Hassum, Fernanda Maia, Magda
Gomes, Marcelo Menezes e José Auro.
Durante todos estes anos, João sempre se impressionou
com o fato de os alunos serem ao mesmo tempo muito
bem informados e mal formados. Daí, decidiu escrever
sobre a história da pintura, mas espanando o ar sisudo
que o tema costuma invocar.
- O objetivo é que o espetáculo seja, antes de didático,
muito divertido - diz João, que também é roteirista
do programa "Malhação".
Realmente, mais do que ensinar, "Los Pintores" diverte.
O próprio título vem de um velho hábito dos palhaços
de apresentar os números em espanhol, e o clima circense
permeia todo o espetáculo, dividido em vários esquetes
em uma hora e meia.
Atores entram em cena gritando "Só a cultura salva!"
De cara, os atores entram em cena enfileirados como
os segidores de uma igreja, gritando "Só a cultura
salva!" e tocando instrumentos. Apresentam-se como
o grupo dos Atores do Bem, que vêm trazer a luz da
cultura para a platéia, cujas almas estão poluídas
pelo excesso de clips e programas trash de auditório.
Depois de sortear o tema do dia num cartão (sorteio
de uma carta só, é claro), começam a apresentar a
história da pintura para os espectadores. A primeira
cena é dos tempos das cavernas. O homem descobre a
tinta e desenha pinturas rupestres nas paredes.
Quando a mulher chega, é claro que não fica feliz
de ver a novidade e começa a reclamar de o cara ter
sujado suas paredes, que vai dar um trabalhão para
limpar. "Além do mais, esse desenho não tem perspectiva,
falta técnica e emoção", dispara. "E assim, completa
um texto em off, nasceu o crítico de arte".
O espetáculo segue em forma de palestra debochada,
com números musicais cantados por Giotto, que faz
uma versão para o sucesso "Imortal", de Sandy e Júnior,
e Bosch, que canta um rap, até um programa de auditório
com a presença de Van Gogh.
Los Pintores - A engraçada história da pintura
mundial : Teatro Belas Artes. Museu Nacional de
Belas Artes. Av. Rio Branco, 199 – Cinelândia.
2240 0068 e 2240 0160. 178 lugares. Sextas e sábados
às 21h e domingos às 19h. De 09 a 30 de novembro.
R$ 8,00
Fonte: Jornal O Globo
08/11/2001
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