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Coisa de pele
Camila Pohlmann
A pele como suporte de arte e comunicação entre os povos ao longo
dos tempos é o tema de "À Flor da Pele", exposição que a galeria do
Espaço BNDES abre hoje ao público. A mostra reúne 241 peças, entre
esculturas, pinturas, fotografias, objetos e vídeos, distribuídas
em sete módulos, organizados no tempo e no espaço.
Logo na entrada, a viagem começa pelo passado. Foram reconstruídas
duas cenas de sepultamento, à maneira dos sítios arqueológicos de
Santana do Riacho, de cerca de 7000 a.C., em Minas Gerais, e de
um sambaqui - depósito pré-histórico situado à beira d'água - em
Saquarema, que data de 2000 a.C. Nessas cerimônias, o homem das
cavernas cobria a pele dos mortos de ocre vermelho.
Daí em diante, a exposição apresenta peças do acervo Museu Mineiro
- pinturas e escultura barrocas do século XVIII - e uma escultura
de época pré-colombiana, além de objetos e material da requintada
maquiagem oriental, oriundos da China e Japão. Passa por tradições
árabes e judaicas, como o "El-keswa el-kbîra", um vestido de noiva
marroquino de ritual judaico. O vestido, assim como a pintura das
mãos e dos pés das noivas com henna, é uma prática tradicional no
Marrocos durante a celebração das bodas nupciais, tanto pela comunidade
muçulmana quanto pela comunidade judaica.
Para terminar, "Pele Modificada", põe em evidência as práticas que
modificam a pele, como o bronzeado pelo banho de sol, a tatuagem,
e as escarificações. Essas últimas, incisões na pele muito praticadas
na África, são práticas e tecnologias de caráter mais durável que
provocam alterações na pele. Uma réplica em bronze da obra "Cabeça
de Ifé", que inspirou o monumento de Palmares, vão mostrar escarificações.
Esse módulo conta ainda com imagens de tatuagens feitas por Beto
Tatoo, muito popular entre os adolescentes.
À FLOR DA PELE Galeria do Espaço BNDES — Av. Chile 100, Centro
— 2277-7757. Segunda a sexta, das 11h às 18h. Até 25 de outubro.
Fonte: Jornal O Globo
26/09/2001
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