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Painel de Portinari é exposto ao público
na Bahia
Biaggio Talento
A Chegada da Família Real
à Bahia em 1808, encontra-se exposto permanentemente
na sala da diretoria da Associação
Comercial da Bahia
Salvador - Um dos mais belos e monumentais painéis
de Cândido Portinari, A Chegada da Família
Real à Bahia em 1808, encontra-se exposto
permanentemente na sala da diretoria da Associação
Comercial da Bahia, mas é praticamente
desconhecido do público. Encomendado pelo
extinto Banco da Bahia em 1952, a obra faz parte
da fase muralista de Portinari. Foi emprestado
por comodato há anos pela Família
Mariani, proprietária do banco, à
Associação Comercial, mas agora
pesquisadores, como a diretora do Museu de Arte
da Bahia Sylvia Ataíde, querem aproveitar
as comemorações do centenário
de Portinari para expor o painel pelo menos por
algum tempo num museu da cidade. "O quadro
é uma aula de pintura e história",
resume.
A Chegada da Família Real à Bahia
em 1808 suscita polêmica desde que foi mostrado
ao público pela primeira vez, nos anos
1950. Críticos cariocas e baianos observaram
alguns "erros" na cena retratada. A
comitiva Real foi pintada nas imediações
do largo da Igreja da Conceição
da Praia, na Cidade Baixa. A localização
dos edifícios da área não
corresponde ao real, "nem nunca se viram
navios com tal abundância de escotilhas",
escreveu um deles. Na época, em defesa
de Portinari o crítico de arte José
Valladares, diretor do Museu do Estado, redigiu
uma crônica publicada no Diário de
Notícias de Salvador rasgando elogios à
obra. "A intenção foi realizar
uma pintura em escala monumental em que as preocupações
de ordem plástica e pictórica sobrepõem-se
às demais", disse, destacando a "rígida
organização espacial" do painel,
obtida, prossegue "mediante os recursos mais
simples de perspectiva e de composição".
Valladares salienta ainda o belo colorido da
cena. "Ele transformou o acontecimento no
que se costuma chamar ´uma festa para os
olhos´." O crítico explica que,
na obra, Portinari deu um exemplo de como é
possível conciliar o que há de melhor
no abstracionismo - suas virtudes puramente plásticas
- com um objetivo que mergulha suas raízes
na realidade histórica.
Medindo 3,82 m de altura por 5,80 m de largura,
o painel toma toda a parede esquerda da sala da
diretoria da Associação Comercial,
acanhando a dependência. Esse também
é um dos argumentos dos que defendem a
transferência da obra, para que ela seja
acomodada num recinto mais amplo, permitindo uma
melhor visão.
O local fica aberto à visitação
pública diariamente de segunda a sexta-feira,
das 8h30 às 17 horas", esclarece.
Ela acha importante manter o quadro na Associação
Comercial, entre outros motivos, por causa do
projeto de revitalização do Bairro
do Comércio, antigo centro bancário
da cidade que vem experimentando uma fase de decadência
nos últimos anos, em conseqüência
da saída de muitas empresas do local.
Jornal Estadão
07/01/2004
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