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Obra do pintor é ligada ao expressionismo
Maria Hirszman
São Paulo - Iberê Camargo (1914-1994) é autor
de uma das mais intensas e autênticas expressões artísticas
desenvolvidas no Brasil ao longo do século 20. Nascido no
interior do Rio Grande do Sul em 1914, ele é normalmente
associado ao expressionismo, usando a pintura como forma de elaborar
artisticamente sentimentos e pulsões inconscientes. "No
ato criador sou arrastado por impulsos que se desencadeiam como
vendavais vindos de não sei onde", afirmou ele certa
vez na tentativa de racionalizar sobre sua arte, que costuma atingir
o público não pelo cérebro, mas pelo estômago
e pelo coração. A obra de Iberê carrega consigo
uma angústia contagiante, dramática. "Pinto porque
a vida dói", dizia ele.
Uma das fases mais duradouras de sua produção é
aquela em que o artista explora a imagem do carretel - que às
vezes funciona como uma espécie de ícone abstrato,
como as formas de bandeirinha de Volpi, e em outros momentos parece
remeter a reminiscências infantis. Outro momento alto da criação
de Iberê são as pinturas com o tema da bicicleta, que
descobriu tardiamente, após voltar a viver em Porto Alegre
depois de uma longa estada no Rio. Esse retorno está associado
a uma tragédia na vida do pintor, que acidentalmente causou
a morte de um homem ao apartar uma briga de rua.
A realização desse museu para abrigar seu grande
acervo - e para dar à sua terra natal uma importante infra-estrutura
cultural - é resultado da profunda dedicação
de sua viúva, Maria Camargo, que desde a morte do marido
está à frente da fundação que leva seu
nome e que foi criada em 1995. Com sede provisória na casa
em que o artista morou, a fundação também tem
em seus planos realizar o catálogo completo da produção
de Iberê que, calcula-se, deve ser de aproximadamente 7,5
mil obras. Para viabilizar o sonho de construir o museu, a viúva
conta com o apoio da comunidade empresarial local, na tentativa
de arrecadar os R$ 15 milhões necessários para realizar
a obra.
Fonte: Jornal Estadão
05/06/2002
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